Já são 13 áreas interditadas pelo uso de sementes ilegais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de março de 2002
Chiara Papali Reportagem Local 
Sobe para 13 o número de áreas confirmadas com uso de soja transgênica no Paraná. A Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) informou ontem a existência de mais sete lavouras que usaram sementes geneticamente modificadas. Laudos do laborário da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acusam a presença do grão ilegal em cinco propriedades de São Mateus do Sul, outra em Toledo e uma em Paula Freitas. As áreas serão interditadas até amanhã. A Seab também está investigando denúncias sobre uma lavoura em Pato Branco e três em Chopinzinho.
As 13 lavouras com o cultivo de soja transgênica estão em São Mateus do Sul (seis), Toledo (duas), Paula Freitas, Londrina, Tamarana, Primeiro de Maio e Santa Mariana . Todas são pequenas propriedades entre dez e quinze hectares de área plantada. Das 33 lavouras sob suspeita e cujas amostras de soja foram enviadas para a UFPR, dezoito deram resultado negativo e duas ainda serão analisadas.
Técnicos da Seab vistoriaram ontem quatro áreas que utilizaram soja transgênica - três em Tamarana e uma em Santa Mariana. Nessas áreas, as colheitas já haviam sido efetuadas e os técnicos iniciaram o processo de verificação das notas fiscais para comprovar a entrega do produto.
Essas áreas fazem parte de um grupo de 13 propriedades que compraram semente de soja geneticamente modificadas proveniente do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul.
Ontem, técnicos visitaram também uma propriedade em Londrina, de 12 alqueires, na região do Heimtal, que foi interditada no último sábado. A colheita no local deve acontecer em 12 dias, com a supervisão da Seab.
O engenheiro agrônomo da Seab, Paulo Eduardo Félix, explica que na maioria das áreas em que a soja transgênica havia sido colhida, os produtores estão plantando o milho safrinha. Com isso, os restos da colheita de soja serão dissecados, com a utilização de herbicidas. Nas áreas em que o solo estava em pousio, a probabilidade de nascer soja transgênica existe e a Seab recomenda e acompanha a utilização de herbicidas para eliminar os grãos transgênicos restantes.
Um kit para análise de organismos geneticamente modificados vai agilizar a identificação de sementes transgênicas no Paraná. O método já começa a ser usado este ano, nos meses antecedentes ao plantio, setembro e outubro. De acordo com o engenheiro agrônomo Antônio Carlos Barreto, da Seab, com o resultado rápido dos testes, vai ser possível evitar o plantio das sementes geneticamente modificadas. (Colaborou Ana Paula Nascimento)


