Nos últimos meses tem circulado na praça uma nova modalidade de golpe: estelionatários estão se passando por advogados para conseguirem extorquir vítimas em potencial.

O golpe funciona da seguinte forma: um número usando a foto do advogado, da equipe jurídica ou a logo do escritório contratado entra em contato com a vítima, informando que ela teria ganho um processo judicial e que, para liberar os supostos valores, exige que a vítima faça uma transferência prévia — normalmente, sob o pretexto de pagamento de imposto de renda, taxas ou outros encargos fictícios. Na maioria das vezes, é fornecido um PIX específico para a realização do depósito.

Geralmente, a mensagem vem acompanhada da cópia de alguma decisão ou peça processual extraída do sistema judiciário, para dar maior credibilidade

Assim, ao gerar o gatilho do desejo, a vítima acaba sucumbindo e realizando a transferência, caindo na fraude.

Além dessa modalidade de estelionato, muitos golpistas vão além. Ao entrarem em contato com o alvo, o induzem a fornecer dados pessoais, bancários, e até mesmo a enviar fotos de documentos, realizar chamada de vídeo ou responder questionamentos por ligação, tudo sob o pretexto de viabilizar a suposta indenização. Com as informações e registros em mãos, os criminosos passam a ter meios para praticarem diversos ilícitos, incluindo a contra contratação de empréstimos, realização de compras e demais operações fraudulentas.

Com objetivo de te ajudar a se precaver, seguem algumas orientações:

1º) Desconfie de contatos solicitando dinheiro ou dados pessoais

O Poder Judiciário não exige pagamentos antecipados para liberar indenizações, regularizar pendências processuais ou resolver questões tributárias.

Além disso, o advogado contratado já possui acesso aos seus dados e documentos imprescindíveis para te representar no processo. Portanto, pedidos reiterados desse tipo são suspeitos. Nunca envie documentos ou dados pessoais sem ter certeza da identidade do solicitante e JAMAIS forneça senhas ou informações bancárias sigilosos.

2º) Verifique a identidade do advogado ou do escritório de advocacia

Sempre confirme a identidade do seu advogado.

Pesquise a inscrição do profissional no site da OAB do seu estado e confira se o nome, número e cidade de atuação batem com as informações fornecidas no momento da contratação. Certifique-se de que o número de contato é o mesmo que já conversava; observe o estilo de comunicação; desconfie de mensagens como “perdi meu antigo número, este é o novo”; lembre-se de que fotos de perfil podem ser copiadas ou alteradas por golpistas.

3ª) Verifique se existem inconsistências

Sempre verifique se existem erros grosseiros de português e observe o estilo de comunicação utilizado, se ele se aproxima de um tom profissional e compatível com a postura do escritório.

É importante conferir também se o número processual informado corresponde ao que foi previamente repassado pelo seu advogado. Confira também o teor da mensagem sobre a ação e se ela corresponde ao processo que você realmente ajuizou.

4º) Exija documentos oficiais, mas CUIDADO com arquivos enviados

Honorários, custas processuais ou qualquer outro valor solicitado, devem vir acompanhados de contrato ou guia oficial com o boleto da instituição correta.

O Judiciário JAMAIS exigirá pagamento de qualquer despesa via PIX ou em nome de terceiro. Por isso sempre é essencial observar o destino de qualquer pagamento.

Tome cuidado também com o envio de arquivos através de aplicativo de mensagens. Criminosos têm encaminhados arquivos corrompidos com vírus e links maliciosos com o objetivo de clonar números, roubar informações e obter acesso a dados pessoais e bancários.

5º) Quando desconfiar, interrompa o contato

Na dúvida, consulte os contatos oficiais no site do escritório ou entre em contato diretamente com o seu advogado por telefone. Se preferir, agende uma reunião ou compareça pessoalmente ao escritório.

Confirmada a fraude, denuncie o número no aplicativo de mensagens e bloqueie o contato, dificultando que o golpista faça novas vítimas.

Lembre-se de que o oferecimento de vantagens excessivas e imediatismo são gatilhos utilizados nesse tipo de golpes. Mantenha-se atento e proteja-se.

Leticia Martins de Campos, advogada e membro da Comissão de Direito do Consumidor da OAB Londrina

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