Se de um lado, os empresários comemoram a saída de Dilma Rousseff, de outros os trabalhadores lamentam. "O governo (de Michel Temer) já apresentou várias propostas contra os trabalhadores e as expectativas não são boas", afirma o economista e supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva.
Um dos exemplos citados por ele é o da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada ao Congresso que impõe teto de gasto do governo por 20 anos. "Terá impacto sobre os salários dos servidores e sobre população em geral que precisa dos serviços públicos", afirma. Outro é o projeto de lei para o refinanciamento das dívidas dos Estados, que também imporá limites para o reajuste dos servidores estaduais e para os gastos de forma geral.
Silva acredita que a tendência é de Temer aprovar o projeto que permite a terceirização das atividades fins das empresas, que ficou na geladeira no governo Dilma. E ainda tentará aprovar uma Reforma da Previdência, com idade mínima de 65 anos para aposentadoria.
Ao contrário da maioria dos colegas, o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Demian Castro, não se entusiasmou com o afastamento definitivo da presidente. Ele considera como "binária" a discussão sobre economia no Brasil. "Ficamos pensando somente se vai ter mais ou menos Estado." Também para o professor, o debate é "contaminado pelo ódio".
Castro não acredita que o ajuste fiscal prometido por Temer seja a solução para os problemas da economia. "Não me venha fazer de bobo. Não é cortando salários de professores, dos trabalhadores da saúde, dos policiais que vamos resolver", critica. (N.B.)

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