Já Ipea mostra apreensão no setor produtivo
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Anne Warth<br> Agência Estado 
São Paulo - Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o setor produtivo se mantém apreensivo em relação ao desempenho da economia brasileira para os próximos 12 meses, embora as expectativas venham melhorando de forma ininterrupta desde o mês de março. O Sensor Ipea de junho atingiu 9,82 pontos, ante 7,79 pontos em maio.
A pesquisa, que teve início em janeiro deste ano, é realizada mensalmente com 115 entidades representativas dos setores agropecuário, indústria, comércio e serviços e trabalhadores que representam 80,2% do PIB brasileiro. Leituras entre -20 e 20 pontos indicam apreensão; entre 20 e 60, confiança; de 60 a 100, otimismo, entre -20 e -60, cenário adverso; e entre -60 e -100, pessimismo.
Segundo o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, o quadro de apreensão indica que ainda há dúvidas sobre o cenário futuro da economia brasileira, mas isso não significa que o setor produtivo projete uma situação adversa para os próximos 12 meses. Segundo ele, o indicador vem se recuperando de forma acelerada nos últimos meses.
Pochmann destacou que o setor industrial, o mais atingido pela crise, é o que tem apresentado mais rapidez na melhoria de suas expectativas.
As expectativas estão certamente ancoradas no que vem ocorrendo no Brasil no segundo trimestre deste ano, em que há melhoras consideráveis sob o ponto de vista da ampliação do setor terciário. O comércio vem vendendo mais, os serviços também, e a indústria, de maneira geral, apresenta uma melhora, embora esteja claro que a indústria ainda sofre com a crise, afirmou Pochmann.
Dos quatro itens que compõem o setor, a melhor avaliação aparece em parâmetros econômicos, que atingiu 50,19 pontos. É o único dos componentes que já se encontra no patamar da confiança e diz respeito às expectativas dos entrevistados para inflação, juros e câmbio. O item desempenho das empresas ficou com - 5,49 pontos. Ele mede as expectativas dos consultados em relação à demanda, situação financeira e ampliação da capacidade do setor.
Apesar do resultado fraco, o indicador melhorou pelo quarto mês consecutivo. O item contas nacionais ficou com 10,22 pontos, demonstrando a melhora das expectativas em relação a PIB industrial, exportações e PIB agropecuário. O pior resultado foi verificado no item aspecto social, que indica as expectativas em relação a massa salarial, desigualdade social, pobreza e violência, com -15,63 pontos.
Pochmann ressaltou que o Sensor é importante para que o governo possa calibrar suas ações de combate à crise financeira internacional. É com base nessas expectativas que o setor privado toma decisões. Para o governo, esse tipo de informação é importante porque permite calibrar as ações do ponto de vista da política econômica e política social, explicou.
Ele destacou que embora haja percepção de que a economia brasileira vai se recuperar, os entrevistados não vislumbram um cenário de melhoria na redução do desemprego, pobreza e desigualdade social. Segundo ele, os dados indicam que as empresas devem recuperar suas margens de lucro e ampliar sua produtividade sem que isso seja repassado aos trabalhadores.
As empresas devem expandir a produção contratando menos trabalhadores, afirmou. Se a recuperação ocorrer com expansão reduzida do emprego, nós devemos então ter problemas no que diz respeito à recuperação daquela trajetória de redução da pobreza que vínhamos tendo nos últimos cinco anos, na margem de ganho dos trabalhadores, na participação de salários no PIB nacional e na capacidade de compra dos trabalhadores.


