Já há sinais de reversão de confiança
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quarta-feira, 18 de maio de 2016
Folhapress 
Brasília Em entrevista concedida a um grupo de jornalistas ontem, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou acreditar que a economia pode começar uma recuperação nos próximos trimestres. "Já existem sinais de reversão de confiança. O comércio já começa a ver um número maior de pessoas visitando as lojas. Existe uma expectativa positiva, e é importante que ela seja confirmada por medidas que façam com que de fato os investimentos voltem, volte a o crédito e as empresas voltem a vender e a contratar."
ANÚNCIO DE MEDIDAS
"Tenho sim a expectativa de que teremos apoio e vamos ter condições de propor as medidas necessárias para resolver o problema. Todos sabemos que a situação, para ser revertida a curva declinante da economia brasileira, o que é fundamental neste momento, inclusive para a questão política, demanda que medidas estruturais sejam tomadas. O que não vamos fazer é enfraquecer essas medidas e a capacidade de negociação com anúncios precipitados para satisfazer a ansiedade de todos, todos nós."
CORTE DE GASTOS
"Não há dúvida de que é possível [cortar gastos], mas também não há dúvida de que existirão medidas estruturais para que isso seja possível. Já falamos em diversas delas, por exemplo, em reforma da Previdência, em teto de gastos, em desvinculações, tudo isso são hipóteses de trabalho."
META
O ministro reconheceu que o deficit neste ano será pior do que o previsto inicialmente, de R$ 96,7 bilhões. Não quis, porém, antecipar qual será o número do atual governo. Interlocutores do ministro admitem que ele pode ser superior a R$ 150 bilhões.
ELETROBRAS E PETROBRAS
O ministro admitiu que o governo terá de analisar uma capitalização para a Eletrobras, mas no momento não considera que seja necessário fazer o mesmo com a Petrobras.
IDADE MÍNIMA
"Não posso dizer para a sociedade que é um ponto inegociável. O que podemos dizer é que existem fatores que têm influência maior. Idade mínima de aposentadoria é um fator importante, a maior parte dos países já tem. Mas isso terá de ser discutido. Qual seria essa idade, quais seriam as regras de transição? Estou citando uma alternativa obviamente relevante. Não estou dizendo que vai ser feito."
OBJETIVO
"As reformas têm de ser feitas, de um jeito ou de outro. O objetivo é tornar a dívida pública brasileira sustentável ao longo do tempo e não deixar que essa trajetória atinja níveis que não são financiáveis. Segundo, diminuir o nível de incerteza causado por essa evolução da dívida, fazendo com que o nível de risco país caia, fazendo portanto com que de fato a taxa de juro real possa cair. E em consequência isso também seja um fator positivo de crescimento."
DÍVIDA PÚBLICA
"Um horizonte de estabilização da dívida de dois, três, quatro anos eu acho que é razoável, dependendo da velocidade. Quanto mais rápido, melhor. Temos de estabelecer um horizonte de até uns quatro anos. Isso já será no próximo governo. Mas as medidas têm de ser tomadas já."


