Já há condições para crescimento, diz Meirelles
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segunda-feira, 25 de agosto de 2003
Eduardo Cucolo<br> Agência Folha 
São Paulo - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse ontem que as condições para a retomada do crescimento econômico já estão dadas e os resultados dessas medidas vão aparecer a partir do último trimestre do ano. ''Falo em construção do crescimento, não em retomadas de fôlego curto. Crescimento não é aquecimento'', disse Meirelles. ''Bolhas de crescimento se inflam com facilidade, mas infelizmente se desmancham no ar'', acrescentou.
Diante de um discurso para uma platéia de empresários, Meirelles disse estar proibido de falar sobre juros até a divulgação da ata do Copom na próxima quinta-feira. Mas ele afirmou que os resultados obtidos até agora em relação à inflação e às contas externas do País estão acima do esperado.
O presidente do BC disse que a inflação continua sendo considerada pelo governo como uma ''pré-condição para um crescimento estável''. Sobre a redução do recolhimento compulsório, Meirelles afirmou que não iria se pronunciar sobre decisões futuras. Ele considera, porém, que os compulsórios estão muito altos.
''Era de se esperar que eles estivessem mais baixos do que estão hoje'', disse o presidente do BC se referindo à expectativa do mercado e do setor produtivo sobre uma nova redução nos compulsórios.
Meirelles disse que o Brasil está fazendo os ajustes necessários para estabilizar a economia com custo muito menor do que o que foi pago por outros países. Meirelles disse ainda que o resultado do aperto fiscal realizado pelo governo já pode ser visto no desempenho das contas externas do país e na queda do risco Brasil.
O presidente do BC afirmou também que o governo vai fechar o ano com um saldo superior ao previsto na balança comercial brasileira e uma redução maior no déficit em contas correntes. ''Se continuarmos nessa trajetória, o desempenho da balança comercial será superior aos US$ 17,5 bilhões previstos para o ano e o déficit nas transações correntes deve ficar abaixo de US$ 4,2 bilhões'' disse.
Uma das medidas, por exemplo, é aumentar a confiança do investidor no País por meio da manutenção dos compromissos de superávit primário assumidos pelo novo governo. O presidente do BC disse que o Brasil pode reduzir ainda mais a taxa de risco-país para retirar os entraves ao crescimento da economia.


