J. Malucelli entra no setor energético
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O grupo J. Malucelli, tradicional no segmento da construção pesada, está direcionando sua atuação também para o setor energético, através da empresa J. Malucelli Energética. O grupo empresarial se prepara para conseguir a licença ambiental para a construção de quatro Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), sentro três delas no Paraná e uma em Goiás.
A autorização para a construção das PCHs já foi dada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Mas a permissão para a construção vai depender do licenciamento ambiental que deverá ser avaliado no Instituto Ambiental do Paraná (IAP). De acordo com o presidente do órgão, engenheiro Rasca Rodrigues, existem cerca de 50 pedidos para construção de PCHs, cuja decisão deverá sair provavelmente a partir de abril.
Até lá, o IAP pretende concluir um diagnóstico completo da real situação dos rios e bacias hidrográficas do Estado com potencial energético. Segundo Rodrigues, para a autorização de uma PCH o órgão ambiental vai levar em conta a localização dos rios e microbacias, com o potencial energético e também com a necessidade de preservação da biodiversidade. A preocupação é evitar que uma PCH possa inviabilizar outra. E que não haja prejuízo também à preservação ambiental. ''O impacto de uma PCH pode ser mínimo, mas na construção de 30 PCHs, o impacto pode ser comparado ao que poderia ser provocado por uma grande usina hidrelética'', comentou.
Apesar da precaução com os licenciamentos ambientais, Rodrigues disse que as PCHs em construção no Paraná poderão constituir, no futuro, uma alternativa para substituir os cortes para compra de energia da Argentina e da UEG-Araucária. Ele se referiu aos contratos de compra de energia da Companhia Paranaense de Energia (Copel) com a Cien - Companhia de Interconexão Energética - e com a termelétrica de Araucária, que o governo do Estado tem a intenção de cancelar.
As três PCHs que o grupo J. Malucelli Energética pretende construir no Paraná estão localizadas no rio Areia, próximo a Guarapuava. Uma quarta PCH, que será a hidrelétrica Olho D'Água, deverá ser construída pelo grupo no rio Correntes, em Goiás. Juntas, elas vão gerar mais de 60 MW de potência, energia que pode abastecer uma cidade de 200 mil habitantes. O valor total dos investimentos está calculado em R$ 150 milhões.


