São Paulo - Os itens promocionais para campanhas eleitorais representam 30% de todo o ramo de brindes, conforme Luiz Roberto Salvador, organizador da ExpoBríndice, maior evento do segmento. ‘‘Sempre existe um aumento muito grande nas vendas e o movimento nesta época de eleições, para os fabricantes, chega a triplicar’’, diz. No faturamento, os resultados também são positivos, chegando a um aumento de 10% em relação a um ano comum.
  A eleição é um evento bem sazonal e a deste ano, além da disputa pela prefeitura, tem a das câmaras, que envolvem 200 mil candidatos a vereador em todo o Brasil. É devido a esta característica de pulverização de mercado que as micro e pequenas empresas acabam absorvendo a maior parte das vendas. ‘‘São três mil fábricas de brindes no País e pelo menos 600 devem se beneficiar com as campanhas políticas’’, conta Salvador. No resto do ano, diz, estes empreendimentos trabalham principalmente para eventos, nos quais conseguem encaixar sua linha de produtos, que incluem desde simples canetas, pastas e porta-papéis, até outros brindes mais sofisticados.
  Este tipo de mercado opcional é bastante importante para o setor de brindes, mas a política continua sendo o carro-chefe para muitos negócios. ‘‘O primeiro semestre foi bem ruim e a política vai salvar o ano’’, acredita Salvador. Ele faz questão de ressaltar, porém, que o mercado está crescendo de forma geral e sobrevivendo muito bem fora o período de campanhas.
  Os principais clientes destes brindes são os congressos e feiras, eventos de promoção de vendas, concursos e campanhas promocionais, além das grandes empresas. No ranking dos mais vendidos, as canetas ganham em maior quantidade vendida, enquanto, em volume, são as bolsas de nylon para congressos.
  Brindes - No ano passado, o setor de brindes como um todo faturou R$ 1,8 bilhão e, por causa das eleições, Salvador acredita que este número deve chegar a R$ 2 bilhões em 2004. Mas apesar das cifras serem altas, ele adverte que um dos maiores problemas deste mercado é o amadorismo. ‘‘Já se tentou fazer sindicatos e associações, mas como o setor não se profissionaliza, fica impedido de crescer’’, diz, comentando que o nível de informalidade e terceirização também é alto.
  Salvador, porém, faz questão de observar que cerca de 40% das empresas do segmento são muito organizadas e profissionais. ‘‘Até multinacionais investem no negócio aqui no Brasil’’. Por causa disso, o setor está mudando: ‘‘Há oito anos os fabricantes de brindes vendiam 80% da sua produção só no final do ano. Hoje já existe uma série de promoções, permitindo que trabalhemos o ano todo’’.(M.F.)

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