Todo começo de ano, o cenário é semelhante na casa das famílias brasileiras: de férias, as crianças exigem muita disposição para passeios e atividades diversas e mais dinheiro no bolso para custear os gastos extras com lazer e alimentação. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou no início deste mês estudo apontando que os produtos e serviços mais consumidos nas férias escolares subiram 8,83% entre janeiro e dezembro de 2011, muito acima da inflação de 6,36% medida para o mesmo período pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC).
Na parte de alimentação, só o xarope para sucos teve alta de 22,37%. Outros exemplos são o sorvete (16,97%), batata frita (14,13%) e o iogurte (11,74%). Durante passeios e viagens, os pais também poderão se surpreender com as elevações dos preços das passagens aéreas (18,17%), dos hotéis (12,35%), teatros (10,64%) e clubes (10%).
Em nota sobre a pesquisa, o economista da FGV que realizou o levantamento, André Braz, recomendou que as famílias façam planejamento antecipado das finanças domésticas para acomodar as despesas extras com as férias dos filhos. A professora Ana Paula Mussi Cherobim, coordenadora do Laboratório de Orçamento Familiar da Universidade Federal do Paraná (UFPR), lembrou que as despesas extras devem se encaixar no orçamento doméstico. Segundo ela, é importante estabelecer, por exemplo, o limite de atividades, lanches e idas ao cinema que podem ser realizados por semana.
Para aqueles que estão no vermelho, a professora opinou que é preciso ter rigor e saber dizer não aos filhos e netos. Outra medida importante é procurar programas gratuitos, como parques e outros espaços públicos. Mas ela orientou ter cuidado com as atividades gratuitas oferecidas nos shoppings. ''O objetivo é levar a família para dentro dos shoppings, que são centros de consumo. Se for levar, tem que ter consciência de que não pode gastar lá.''
Com mais tempo livre, é comum as crianças terem mais vontade de consumir guloseimas. Para Ana Paula, se estiver dentro do orçamento, não há mal nenhum em comprar um doce diferente para a criança. No entanto, é preciso estabelecer padrões. Mais uma vez é importante estabelecer o valor máximo que pode ser gasto com isto por semana. ''O importante é ter este padrão até para a criança ter noção de quanto as coisas custam e de que dinheiro não cai do céu.''
Outro comportamento fundamental para não exagerar nos gastos é a pesquisa de preços. No entanto, a economista lembrou que os pais têm que ter em mente o chamado ''custo total''. Exemplo: geralmente, os produtos são mais baratos em hipermercados, onde há uma variedade maior de marcas. Mas nestes lugares o risco de extrapolar o orçamento é maior. ''Muitas vezes, a ida ao hipermercado acaba sendo mais dispendiosa do que dar dinheiro à criança e mandá-la ao mercadinho da esquina.''

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