Os novos donos do Banestado passaram o dia ontem na sede administrativa, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, para os primeiros contatos com a estrutura bancária que assumirão oficialmente na próxima terça-feira. Eram cerca de 40 executivos que fizeram uma série de reuniões com a atual diretoria do banco, quebrando a rotina interna dos funcionários, que foram mobilizados para providenciar documentos e informações. A notícia que circulou pelo prédio era de que a diretoria geral do Banestado, cargo que substituirá a função do presidente, seria ocupada por Ronald Anton de Jongh, executivo que comandou os bancos Bemge e Banerj após serem comprados pelo Itaú.
O Itaú já teria a lista pronta dos diretores que assumirão o Banestado na próxima semana, mas os nomes ainda não foram divulgados oficialmente. Falta primeiro o Banco Central aprovar as indicações, que serão apresentadas no dia da Assembléia Geral Extraordinária marcada para o início da tarde de terça-feira. Havia uma expectativa de que alguns diretores do Banestado fossem preservados em suas funções, mas uma lista que circulou pelo banco mostrava que haverá mudança completa. Em contrapartida, o banco sinalizou que pretende manter como está o quadro de gerentes. A assessoria do Itaú não confirmou a possibilidade de Jongh ficar no principal cargo do Banestado.
Com a compra de 88,04% das ações que pertenciam ao governo do Estado e a um grupo de minoritários, o Itaú se tornou o novo controlador do banco paranaense. Mas o grupo ainda tem planos de adquirir mais ações. Poderá comprar mais 2,52% de ações que pertencem a acionistas minoritários que não participaram do leilão. Há também os 9,4% que foram destinados aos funcionários. O Itaú é obrigado, por força de contrato, a comprar os papéis dos funcionários pelo dobro do preço que valem hoje.
No caso dos minoritários não há essa exigências e por causa disso muitos não se sentiram estimulados a colocar suas ações à venda. Eles acharam que não iriam receber muito dinheiro no leilão, pois não esperavam ágio significativo. Mas a previsão foi frustrada, pois com o ágio de 303% eles sairiam lucrando. ‘‘Não imaginávamos que haveria um ágio tão grande’’, admitiu ontem o presidente da Associação dos Acionistas Minoritários, Paulo Schwartz.
A associação congrega um número pequeno de acionistas minoritários, em torno de 150. Praticamente nenhum deles pôs à venda seus papéis. ‘‘Agora poderemos vender na Bolsa de Valores. Torcemos para que essas ações se valorizem’’, disse Schwartz.
Os principais acionistas minoritários venderam suas ações e por isso garantiram aumento de lucros neste ano. O Funbep (fundo de pensão dos funcionários) colocou no leilão todas as ações que tinha. A Corretora de Seguros também fez a venda completa de seus papéis.