O Itaú vai continuar com as demissões de funcionários no Banestado. Mas agora vai apresentar um Plano de Demissão Voluntária (PDV) aos funcionários do banco no prazo de dez dias. A iniciativa foi proposta ontem pelo Ministério Público do Trabalho, em substituição às demissões que vinham sendo feitas desde 1º de janeiro. O Sindicato dos Bancários aceitou negociar o PDV com o banco, embora não tenha concordado com a decisão do MP. No período de negociação estão suspensas as manifestações de fechamento de agências bancárias.
O diretor Recursos Humanos do Banco Itaú, Marco Antonio Sampaio, acatou a decisão da Justiça e ficou de apresentar o PDV que será analisado pelo Sindicato dos Bancários e Ministério Público. O Banco Itáu é o novo controlador do Banestado. Ficou acertada na reunião ainda, que os funcionários do Banestado que não serão demitidos serão transferidos para o quadro de funcionários do Banco Itaú, com direito a todas as indenizações de rescisão de contrato, inclusive sobre as horas-extras trabalhadas. Os anuênios poderão ser negociados na transferência.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários, José Daniel Farias, a reunião com o MP não atingiu o objetivo esperado, que era a garantia do emprego. Mas o encontro abriu um canal de negociação entre a direção do Banco Itaú e o sindicato que não havia. Além do PDV, o banco concordou em pagar as horas extras com efeito retroativo a 1º de janeiro, conforme determina a súmula 291 do Tribunal Superior do Trabalho. Desde esse período o Banestado havia substituído o pagamento de horas extras pelo banco de horas, onde o funcionário retirava em folga o acúmulo de horário adicional de trabalho.
O sindicato queria incorporar o pagamento dessas horas extras ao salário, mas não conseguiu. Ficou acertado que daqui para frente o banco vai pagar as horas-extras, a cada três meses. Os relatórios serão analisados pelo sindicato e o Diesse. Apesar do sindicato não concordar com o PDV, Farias disse que o plano será avaliado sobre as vantagens que poderá propor aos funcionários em assembléia. O Banco Itáu ficou de iniciar o processo de transferência de funcionários, após o sindicato assinar o acordo global, que ‘‘será rigorosamente analisado’’, garantiu Farias.

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