Itaú não contabiliza dívida e passa a lucrar
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sexta-feira, 27 de agosto de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Banestado, controlado pelo Banco Itaú, teve lucro de R$ 233 milhões no primeiro semestre de 2004, depois de um prejuízo de R$ 480 milhões no mesmo período do ano passado. Na opinião de analistas de mercado, o balanço publicado ontem revela que o Itaú desistiu, pela primeira vez, de contabilizar a dívida do governo do Paraná com os precatórios (créditos garantidos por decisão judicial), e o banco passou a ter lucro.
Conforme o balanço, todo o prejuízo do ano passado correspondia à dívida dos precatórios do governo do Estado com o banco Banestado, que não foram pagos pelo governador Roberto Requião (PMDB). Com a desistência do governador em pagar a dívida, a partir deste ano o banco passou a contabilizar somente as operações de aplicação e crédito.
O balanço está revelando que o próprio banco está gerando seu lucro, situação que vai de encontro às correntes que não queriam a privatização do banco. Entre as versões da época da privatização do Banestado, havia quem defendia que o banco só começou a gerar prejuízo pelo mau uso de seus recursos.
O Itaú comprou o Banestado, mas muitos ativos e operações de crédito permanecem em operação, embora todos os ativos já tenham adotado o nome fantasia Itaú. Para analistas, o lucro do Banestado deve ser atribuído à ação do núcleo duro do banco que vem administrando profissionalmente as dívidas pendentes.
A dívida do governo do Paraná com o Banestado corresponde ao valor dos precatórios dos estados de Alagoas, Pernambuco, Santa Catarina e das prefeituras de Guarulhos e Osasco (SP), que somavam R$ 511 milhões. Quando o banco foi privatizado em outubro de 2000, o Itaú assumiu a dívida, mas o governo da época deu como caução para pagamento as ações da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Em seguida houve renegociação da dívida, ainda no governo Lerner, e o valor total foi reduzido para R$ 480 milhões.
No balanço, o Banestado informa que já trabalha com a perspectiva de receber a dívida do governo do Paraná a longo prazo, tendo em vista os embates judiciais já ocorridos. O governo do Paraná obte uma liminar no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 região, que decidiu pela suspensão do pagamento das parcelas no valor de cerca de R$ 30 milhões mensais. O banco contabiliza a seu favor sentença em primeiro grau que decidiu apenas pela suspensão das cláusulas de garantia, ou seja, as ações da Copel deveriam ser trocadas por outras garantias do patrimônio do governo do Estado.


