As demissões do quadro de funcionários do Banestado devem ser superiores a 80%, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo. A previsão foi feita pelo diretor do sindicato, Deyvid Leite, ontem, considerando o histórico do Itaú na compra de outros dois bancos: o Banerj, do Rio de Janeiro; e o Bemge, de Minas Gerais.
No Banerj, adquirido pelo Itáu há cerca de três anos, o número de empregados baixou de 12 mil para 1,2 mil. ‘‘Se o banco tiver uma média salarial muito diferente da dele, o Itaú destrói o quadro de funcionários’’, disse.
No caso do Banerj, só foram mantidas agências no estado do Rio de Janeiro. ‘‘Isso deve acontecer com o Banestado. Muitas agências serão fechadas e, os funcionários, substituídos por empregados do Itaú a fim de reduzir salários’’. No Bemge, leiloado há cerca de dois anos, a substituição do quadro não foi tão grande porque o banco tinha média salarial similar a do Itaú. Um caixa recebe um salário mensal médio de R$ 700 no Itaú. A média salarial dos funcionários do Banestado é de R$ 1,7 mil, segundo o Sindicato dos Bancários de Londrina.
Para Deyvid Leite, a venda do Banestado para o Itaú é ‘‘mais traumática’’ para os funcionários, se comparado com os outros dois interessados. ‘‘Se o banco tivesse sido comprado pelo Bradesco ou Unibanco teria sido menos pior. A média salarial de um caixa no Bradesco é de R$ 950’’, exemplificou o sindicalista, que não soube informar a média paga pelo Unibanco. Desde 1994, o Itaú reduziu seu quadro de funcionários de 48 mil pessoas para 30 mil.
Ontem a direção do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana adiantou que pretende encaminhar nos próximos dias uma carta ao departamento de Recursos Humanos do Itaú para negociar estabilidade de emprego dos funcionários do Banestado. A direção do Itaú, no entanto, garante que não pensa em demissão imediata. O diretor de Recursos Humanos, Marco Antonio Sampaio, disse ontem que somente a partir de agora ele começará a analisar o quadro.
Sampaio tentou tranquilizar os funcionários. ‘‘Não há qualquer previsão para demitir. Primeiro teremos de conhecer quem trabalha no banco’’, disse. Ele afirmou que o Itaú espera assumir um banco sem greves na próxima terça-feira. ‘‘Esperamos que a greve termine, porque damos a segurança que haverá negociação conosco’’, disse o diretor.
O Sindicato dos Bancários pretende manter a greve pelo menos até hoje, quando haverá em Brasília a primeira audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho.(Cláudia Lopes, Israel Reinstein e Carmem Murara)

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