A diretoria do Itaú toma posse oficialmente amanhã do Banestado, quando será assinado o contrato de compra e venda das ações do banco que estavam em poder do governo do Estado. Os novos diretores serão escolhidos durante a assembléia geral extraordinária dos acionistas. A reunião será a partir das 14h30 na sede administrativa do Conglomerado Banestado. Com a assembléia, o atual presidente Reinhold Stephanes não irá mais responder pelas operações da instituição financeira, encerrando uma administração de 19 meses, marcada pelo processo de saneamento.
O Itaú, que comprou o Banestado em leilão por R$ 1,625 bilhão, ainda não deu detalhes sobre a equipe que comandará o novo banco. Mas na semana passada havia uma expectativa de que seria o mesmo grupo que fez o período de transição nos bancos Bemge de Minas Gerais e Banerj do Rio de Janeiro, também comprados pelo Itaú. O executivo Ronald Anton de Jongh foi quem, na época, assumiu a função de diretor geral. A presidência do Banestado ficará a cargo do presidente do Itaú, Roberto Setúbal.
Segundo anunciou o diretor financeiro Rodolfo Fischer, no dia do leilão, haverá um tempo de adaptação até que as operações entre Banestado e Itaú sejam interligadas. Isso ocorrerá aos poucos. Por enquanto, não há planos de mudanças nas agências e o nome Banestado continuará sendo usado pelo menos pelos próximos cinco anos.
O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, chegou a declarar, um dia após a venda, que o Itaú pretendia manter sem mudanças o quadro de gerentes em todo o Estado. Mas já é dado como certo o lançamento nas próximas semanas de um Plano de Demissão Voluntária.
Com a posse dos novos diretores, recomeça a negociação com os funcionários no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O Sindicato dos Bancários e os representantes do Itaú vão discutir o contrato coletivo de trabalho e um termo aditivo proposto pelos funcionários. Esse termo dá garantia de emprego por 18 meses.
Amanhã termina o prazo para que os funcionários façam a opção de compra da parcela de ações destinadas a eles pelo governo do Estado. Cada um tem direito de comprar 10 lotes de ações no valor de R$ 1.871,45. Essas mesmas ações poderão ser vendidas ao Itaú pelo dobro de seu preço atual, no prazo de um ano. O banco é obrigado a comprá-las. Até o final de semana, a quase totalidade dos 7,5 mil funcionários do Banestado tinha aderido a compra ao se credenciar pelo Clube Grazul. Amanhã às 18 horas é o último dia para comunicar a adesão junto à Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia.