O Banestado foi vendido ontem para o Itaú por R$ 1,625 bilhão, valor considerado acima das expectativas pelo Banco Central e pelo governo do Estado. O ágio foi de 303% sobre o preço mínimo de R$ 403,4 milhões (88,04% das ações do governo), o que representou a maior sobrevalorização até agora em relação aos demais bancos estaduais já vendidos no País. Segundo o Banco Central, o maior ágio até agora era o do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais) com 86%, também vendido para o Itaú. O preço de venda foi comemorado pelo governo do Estado e criticado pela oposição e sindicatos que defenderam a tese de que o preço mínimo de R$ 434 milhões foi subavaliado.
- Banco do Estado foi vendido por R$ 1,625 bilhão
- Ágio chegou a 303% sobre preço fixado pelo governo
- Liminar suspendeu o leilão, mas foi cassada em uma hora
Quando saiu o resultado do leilão na Bolsa de Valores do Paraná houve euforia entre os presentes. ‘‘Não falei? Não falei?’’, gritava o diretor de Finanças do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, dando socos no ar, assim que o Itaú fez a maior oferta sobre a última proposta do Unibanco, no valor de R$ 1,580 bilhão. Ele avalia que o valor conseguido com o Banestado ‘‘sinaliza uma valorização para o Banespa’’, que será vendido em novembro.
Os secretários Giovani Gionédis (Fazenda) e Cid Campelo Filho (Governo) se abraçaram e se disseram surpresos com o resultado. Gionédis minutos após a abertura do leilão disse acreditar que o Banestado seria arrematado por R$ 1 bi, no máximo. Assim que saiu o resultado ele e Campelo se empenharam em dar a notícia ao governador Jaime Lerner (PFL), que, segundo Campelo, estava na casa da filha Ilana Lerner. Em entrevista coletiva à tarde, Lerner declarou: ‘‘Chegamos a um resultado auspicioso e importante’’.
O leilão do Banestado durou 15 minutos. A venda começou às 11h32 com a entrega das propostas em envelope fechado dos três bancos qualificados: Bradesco, Itaú e Unibanco. O Bradesco fez a menor oferta de R$ 710 milhões. Como o preço dos outros dois bancos teve uma diferença inferior a 20%, o leilão foi para o viva-voz. Depois de dois lances, o superintendente da Bolsa de Valores, Amaury Stochero, declarou o Itaú vencedor.
A euforia que marcou o processo de venda foi precedida de apreensão nos momentos que antecederam a abertura do processo de venda. A exatos 3 minutos da abertura do leilão, o oficial de Justiça Wilson Pizza entrou correndo na sala do pregão com uma liminar que cancelava a venda. A ordem tinha sido dada pelo juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública, Gil Francisco de Paula Xavier. Ele havia acatado o pedido de liminar ajuizado anteontem pelo deputado federal Florisvaldo Rosinha Fier (PT). O deputado questionava o processo licitatório e o preço do banco avaliado em R$ 434 milhões.
O governo do Estado se mobilizou rapidamente. ‘‘Vamos cassar a liminar e retomar o processo de venda’’, afirmou Gionédis com segurança. A liminar foi cassada uma hora mais tarde pelo presidente do Tribunal de Justiça, Sydnei Zappa. O secretariado de Lerner que estava na Bolsa não demonstrou preocupação em relação à possibilidade de não ocorrer a venda.

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