Itambé absorve produção de leite
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Brasília - O presidente da Itambé, José Pereira, informou ontem que a empresa está recebendo 40 mil litros adicionais de leite por dia de produtores de Goiás que forneciam para a Parmalat. Ele avaliou que é muito difícil ampliar esta captação, porque isso significaria buscar o produto a uma longa distância, o que é inviável. Ainda assim, não bastaria aumentar a área de captação, pois a capacidade industrial está totalmente ocupada neste momento.
Pereira teve audiência com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que está se reunindo com indústrias e cooperativas para analisar a crise da multinacional italiana, avaliar a capacidade de captação de leite das demais empresas e a reestruturação do setor leiteiro.
A Itambé está em fase final de negociação para definir a localização de um investimento de R$ 180 milhões na construção de uma unidade destinada à produção de leite em pó e leite condensado. Pereira afirmou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá participar como sócio do projeto com 30%, se o investimento for feito pela Itambé S/A. A participação do BNDES seria temporária, conforme o executivo. O projeto poderá ficar em Goiás ou no Triângulo Mineiro.
Pereira considerou ''remota'' a hipótese de a Itambé adquirir ativos da Parmalat. O executivo lembrou que as cooperativas dos Estados onde a multinacional opera já manifestaram interesse em assumir a operação das unidades e, além disso, ele considera difícil que os credores concordem com a alternativa de venda.
''As cooperativas dos cinco estados os quais têm fábricas da Parmalat atuantes estão discutindo soluções para que elas próprias adquiram os ativos que hoje pertencem à Parmalat. A possibilidade para a Itambé comprar alguma unidade da Parmalat é muito remota. Além disso, acho que a fábrica não pode ser vendida. Deve haver uma solução negociada entre todas as partes'', afirmou Pereira.
A liberação de recursos por meio de Empréstimos do Governo Federal (EGF) entrou na pauta da audiência com Rodrigues. A Itambé apresentou um pedido de financiamento de R$ 18 milhões no começo da safra de leite, no ano passado. Conforme o presidente da empresa, ontem foram liberados R$ 6 milhões, o suficiente para estocar 1.500 toneladas de leite em pó. O ministro renovou seu pedido para que a Itambé ajude a socorrer os produtores de leite, conforme Pereira.
A Itambé trabalha com mais de 6 mil fornecedores e recebe 2 milhões de litros de leite por dia. Rodrigues já havia conversado com o presidente da Nestlé, Ivan Zurita, no dia 14 de janeiro. Zurita estimou que a companhia poderia aumentar em 500 mil litros por dia sua captação, para absorver parte do produto entregue à Parmalat. Ele prometeu apresentar ao governo um estudo de como poderia absorver parte do produto fornecido à Parmalat.


