BRASÍLIA - Os ex-presidentes da República Itamar Franco e José Sarney deram início ontem à cruzada contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, e já forçaram o presidente Fernando Henrique Cardoso a reabrir negociações. Após almoçar na residência oficial do presidente do Senado, a convite de Sarney, Itamar Franco dirigiu-se à Fundação Oscar Niemayer, a menos de 500 metros do Palácio do Planalto, e começou a receber em audiência adeptos do movimento.
‘‘Este é um movimento cívico, sem enfoque político partidário’’, anunciou Itamar, que recebeu durante a tarde o brigadeiro Ivan Frota, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ernando Uchoa Lima, o deputado Paes de Andrade, seu ex-ministro Henrique Hargreaves, e os petistas José Dirceu, José Eduardo Dutra e Tilden Santiago. Todos pretendem participar de manifestações contra a venda da estatal.
José Sarney, após o almoço, também reafirmou sua posição contrária à venda da empresa, e disse que não há nenhuma vinculação entre o movimento e a luta contra a reeleição para presidente. ‘‘Tanto é que se o presidente dissesse ‘‘eu não privatizo a Vale e peço que passe a reeleição’’, grande parte dos que estão nesse movimento, aceitariam a não privatização da Vale e pagariam o preço que ele pede’’.
Sarney disse que Fernando Henrique tem a obrigação de ouvir a sociedade, e precisa saber que tem o apoio da sociedade para voltar atrás. ‘‘Talvez eu tenha errado por que não tive condições de corrigir os erros’’, disse Sarney. Itamar afirmou que sua posição contrária à venda da estatal não o deixa em confronto com o presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Ele já conhecia minhas posições, pois foi sugerida a venda da empresa no meu governo e eu não permiti’’, lembrou Itamar, sem citar em nenhum momento a possibilidade de renunciar ao cargo de embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA).

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