Italiano busca empresas em Londrina para parceria
Cláudia Lopes
De Londrina
O grupo italiano Zambon busca empresas da região de Londrina para firmar parcerias ou joint ventures a fim de produzir matéria-prima para suprir a fábrica do grupo em São Paulo, segundo o vice-presidente do Zambon, Davide Sirtoli Lovati, que está desde ontem na cidade. Ele informou que os planos de construir uma unidade industrial de química fina no município são para longo prazo aproximadamente daqui a cinco anos.
O diretor superintendente do grupo no Brasil, João Carlos Momesso, esclareceu que a parceria com uma empresa local poderia reduzir este tempo em dois terços já que a fábrica não teria que começar do zero. O grupo Zambon entraria com o know-how, clientes e investimentos para adquirir equipamentos para potencializar a produção já existente.
O pontapé inicial também pode ser dado através do início do desenvolvimento de pesquisas na região, em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Estamos analisando o potencial e os investimentos necessários para fazer pesquisa em Londrina. Este levantamento deve ser concluído em dez meses, disse Momesso. O grupo Zambon já participa de um programa para controle de asma junto com a UEL.
O Nordeste brasileiro também está sendo analisado como candidato para sediar a unidade, segundo Momesso. Mas como lá não há outras empresas do setor, teríamos que fazer o investimento sozinhos, disse ele, enfatizando que os estudos estão em fase embrionária. Não estamos com pressa porque a unidade paulistana, que foi inaugurada há seis meses, só vai atingir seu ponto de saturação operando em três turnos, daqui a quatro ou cinco anos.
A química fina é a base na produção de medicamentos. O grupo, que atua em 18 países do mundo, tem duas unidades de química fina na China e na Itália, que produzem princípios ativos para as outras cinco fábricas da Zambon. No Brasil, o grupo só tem uma fábrica em São Paulo, que atende toda a América Latina.
A intenção, porém, é dobrar a produção da fábrica brasileira nos próximos cinco anos, que hoje é de 14 milhões de unidades de medicamentos/ano. Desta forma, o faturamento deve passar dos atuais US$ 56 milhões para US$ 126 milhões daqui a cinco anos. O Brasil é um dos principais focos de crescimento do grupo, segundo Momesso. Existem doenças tropicais muito diferentes das européias e que ainda precisam ser exploradas, disse. A participação do grupo no mercado nacional é de 0.6%. O principal produto fabricado em São Paulo é o xarope fluimucil. Na fábrica, são produzidos seis milhões de unidades por ano do xarope.
O Zambon também está desenvolvendo uma vacina contra o câncer de pulmão em Seatle, nos Estados Unidos, junto com o Corixa Corporation. Segundo Momesso, a vacina deverá ficar pronta daqui a cinco ou seis anos.
O faturamento global do grupo, com sede em Milão, na Itália, é de US$ 560 milhões/ano. O vice-presidente mundial e outros representantes da empresa foram recebidos ontem pela manhã, no aeroporto, pelo prefeito Antonio Belinati. Inicialmente, quem viria a Londrina seria o presidente mundial do grupo, Andrea Zambon, que cancelou a viagem alegando força maior. Davide Lovati fez palestra ontem à noite na feira Saúde 99, em Arapongas, no lugar de Andrea Zambon. Ele falou sobre Indústria de medicamentos no terceiro milênio.





