Itália manda melhorar critérios de inspeção
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de janeiro de 1997
Elvira Fantin Sucursal de Curitiba 
Vontade políticaVicenzo Caporalli: Exportação depende de vontade política do governo
O Paraná só vai conseguir exportar carne suína para a Europa quando tiver um rebanho sadio, um processo de transformação industrial com tecnologia e um bom serviço de inspeção oficial. Antes disso, qualquer tentativa de exportação será frustrada. A declaração é do médico veterinário italiano Vicenzo Caporalli, consultor do Ministério da Agricultura e diretor do Instituto Zooprofilático Experimental de Abruzzo e Molize, com sede na Itália.
Caporalli participou de uma reunião ontem, em Curitiba, com o secretário da Agricultura, Hermas Brandão, o delegado do Ministério da Agricultura, Mário Bezerra, o presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), Sessuaf Polanski, representantes de frigoríficos e técnicos da defesa sanitária.
A reunião teve o objetivo de identificar pontos falhos e apontar diretrizes para o Paraná se adequar às exigências do mercado internacional e viabilizar a exportação de carne. De acordo com Caporalli, o Paraná tem um rebanho de excelente qualidade genética e os produtores são competentes na atividade. Por isso a possibilidade de exportação é muito grande. A exportação agora depende só da vontade política do governo de investir na melhoria da estrutura de fiscalização e na sanidade do rebanho, destacou o veterinário italiano.
Sem cuidar da
sanidade, tentativa
de exportar
será frustrada
Caporalli, que esteve ontem no Paraná, já visitou anteriormente os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo ele, o Sul do Brasil tem perfeitas condições para exportar carne suína para a Europa. Ele informou que os países europeus, especialmente a Itália, estão aumentando muito as importações de carne suína por falta de espaço físico e problemas ambientais. A criação suína produz um volume muito grande de dejetos e em áreas pequenas este problema fica muito mais grave, observa.
O secretário da Agricultura disse que está otimista com a possibilidade de o Paraná conseguir a partir de abril a declaração de área livre de febre aftosa. Segundo ele, a doença está totalmente controlada e em abril o Estado completa dois anos sem nenhum foco da doença.
Brandão admite que o Estado não tem condição de investir tanto no controle sanitário quanto o necessário, mas a expectativa é que com a oficialização do Fundepec (Fundo de Defesa Pecuária) as ações nesta área se intensifiquem. O Fundepec foi regulamentado pela nova legislação sanitária do Paraná, que entrou em vigor em 27 de dezembro último. O Fundo será constituído com contribuições dos pecuaristas que passam a recolher uma taxa por animal abatido. Este trabalho integrado entre o Estado e a iniciativa privada deve contribuir para intensificar o serviço sanitário, prevê.


