Itaipu volta atrás e instalará turbinas
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A direção da Itaipu Binacional anunciou ontem a decisão de retomar a instalação das duas últimas turbinas na maior hidrelétrica do mundo. No final de maio, a Eletrobrás havia tomado a decisão de suspender a obra por tempo indeterminado, com a justificativa de que o dinheiro - US$ 190 milhões - seria empregado na construção de hidrelétricas menores e termoelétricas para suprir em um tempo mais curto a crescente demanda de energia no Brasil.
Segundo a Folha apurou, o verdadeiro motivo foi outro. O governo brasileiro temia investir na hidrelétrica - construída e administrada por Brasil e Paraguai - num momento em que o país vizinho passava por uma grave crise política, gerada pelo assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, no final de março. A decisão então foi usar o pretexto da revisão da política de investimento no setor energético para esperar que a situação se estabilizasse.
Com isso, o governo brasileiro conseguiu pressionar o Paraguai a não se desviar do caminho democrático - o que foi obtido com a coalizão de partidos que hoje governa o país, comandada pelo ex-presidente do Senado, Luis Angel Gonzáles Macchi. Foi uma forma técnica de solucionar um problema político.
O anúncio da retomada do projeto foi feito ontem, após reunião, em Foz do Iguaçu, da Diretoria Executiva da Itaipu Binacional, da qual fazem parte brasileiros e paraguaios. Procurado pela Folha à tarde, o diretor-geral brasileiro, Euclides Scalco, estava em viagem, retornando a Curitiba.
As duas últimas turbinas, que se somarão às 18 atualmente em operação, deverão aumentar a capacidade de geração de energia de 12,6 mil megawatts para 14 mil megawatts. A previsão é de que as novas unidades entrem em operação apenas daqui a aproximadamente quatro anos - 45 meses após o início das obras, o que deverá ocorrer no próximo ano.
A previsão inicial era de conclusão da obra em 2001. Somente em Foz do Iguaçu, serão gerados mil empregos diretos. Os US$ 190,1 milhões (cerca de R$ 340 milhões) necessários serão emprestados à binacional pela Eletrobrás. A energia produzida por essas duas unidades equivalerá à geração de uma usina de médio porte, com custo estimado de US$ 1 bilhão.
O processo retomado ontem está na fase de pré-qualificação das empresas que participam da concorrência pública internacional. A obra foi dividida em cinco grupos: 1 (fabricação e montagem das turbinas, geradores e elevadores de tensão); 2 (obras civis); 3 (montagem eletromecânica); 4 (tomadas de água e serviços auxiliares, entre outros) e 5 (projeto).





