Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A partir de hoje, a maior usina hidrelétrica do mundo começa a acompanhar pelo projeto ‘‘Siga o Sol’’ outras empresas geradoras de energia de todo o planeta, na tentativa de eliminar qualquer problema ligado ao bug do ano 2000. Na Nova Zelândia, região onde começa o fuso horário mundial, a virada do milênio acontece às 9 horas, horário de Brasília.
Segundo Sérgio Cwikla, superintendente de Informática e responsável pelo projeto Antibug, a Itaipu ainda tem a vantagem de estar uma hora adiantada em relação ao Distrito Federal. A Hidrelétrica não acompanha o horário de verão por ser binacional (contruída pelo governos brasileiro e paraguaio). ‘‘Esta diferença de uma hora, vai permitir que nossa equipe acompanhe algum possível problema antes da chegada do ano novo para o resto do país’’, disse Cwikla.
Para avaliar o funcionamento e a produção de energia de outros estados e países durante a virada do ano, a equipe técnica da Usina de Itaipu, juntamente com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), escalou 13 mil pessoas em todo o Brasil. Somente em Foz do Iguaçu, cerca de 180 funcionários ficarão de sobreaviso em suas casas, e 20 estarão de plantão na noite do réveillon no que eles chamam de ‘‘Sala de Situação’’. Neste local estão instalados diversos equipamentos de comunicação para contato com outras pontos do país, inclusive telefonia celular pelo sistema Iridium e tv, ambos via satélite, caso ocorra algum problema com os sistemas tradicionais.
Para o engenheiro responsável pela superintendência de operações da Usina, João Ricardo Camargo, este acompanhamento é importante porque todo o processo envolve geração, transmissão e distribuição, feitos respectivamente por Itaipu, Furnas e concessionárias. ‘‘Nosso testes e simulações deram negativo, mas é preciso acompanhar tudo até às 8 horas do dia três de janeiro, quando encerra o que chamamos de período crítico’’, falou Camargo.
A Hidrelétrica gastou cerca de US$ 2,4 milhões para atualizar equipamentos e reestruturar softwares. As mudanças começaram com ações preventivas em 1996, onde um inventário apurou cinco mil itens a serem avaliados. A partir de 97, mais de 42 mil programas foram trocados ou passaram por adaptações.
Camargo informou ainda que, com ou sem bug, não vai faltar energia para a população, já que as 18 turbinas estarão disponibilizando energia em caso de necessidade. ‘‘Além disso, o funcionamento dos geradores é acompanhado por um sistema digital e outro analógico. Se faltarem os cronômetros, teremos os ponteiros para direcionar a equipe’’, afirmou.

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