Itaipu reduz 20% da produção de energia
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quinta-feira, 16 de agosto de 2001
De Curitiba 
Em virtude da redução no consumo de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, com o racionamento em vigor desde junho, Itaipu reduziu a produção de energia, que atualmente está entre 15% e 20% menor do que a média normal. Algumas das 18 unidades geradoras da usina ficam eventualmente desligadas, o que vem ocorrendo desde junho. O diretor técnico executivo de Itaipu, Altino Ventura Filho, estima que a usina deve fechar o ano com uma produção acumulada de 82 milhões de megawatts-hora (MWh), muito abaixo do recorde histórico de 93,4 milhões de megawatts-hora registrado no ano passado.
Embora esteja recebendo menos água - cerca de 7 mil metros cúbicos por segundo, ontem, contra 10 mil metros cúbicos em períodos normais -, o reservatório estava em 219,07 metros acima do nível do mar -a faixa de operação normal fica entre 219 e 220,30 metros. Toda a água que entra na usina retorna ao Rio Paraná depois de utilizada para a geração de energia, portanto Itaipu não tem nenhuma responsabilidade pela redução do nível do rio a jusante.
O Rio Paraná, na confluência com o Rio Iguaçu, estava ontem 3,5 metros abaixo do índice de períodos normais, que é de 102 metros. ''Para uma época seca como a que estamos vivendo, não se pode estranhar esta diminuição'', diz o diretor técnico executivo de Itaipu, lembrando que a bacia do Rio Paraná (principalmente os rios Grande e Paranaíba), onde estão as principais usinas da Região Sudeste, sofre atualmente um dos piores períodos de seca dos últimos 70 anos.
A Usina de Furnas, por exemplo, está com um armazenamento de apenas 15%. Por causa disso, só gera durante três ou quatro horas por dia, paralisando seu funcionamento no restante do tempo para economizar água suficiente para viabilizar a operação.
Além da queda no consumo das regiões Sudeste e Centro-Oeste, um outro fator está permitindo que Itaipu e as demais usinas localizadas na bacia do Rio Paraná gerem menos energia. É que as usinas do Sul do Brasil, principalmente as da Copel e da Gerasul, no Rio Iguaçu, estão com os reservatórios cheios.
O excedente de energia gerado pelo Sul está sendo enviado para o Sudeste pelas mesmas linhas de Furnas que transmitem a produção das nove máquinas de Itaipu que geram em 60 hertz (que é a ciclagem brasileira; outras nove unidades geram em 50 hertz, das quais uma parte vai para o Paraguai e o restante segue para São Paulo e abastece o mercado brasileiro).
Mas é o comportamento da população brasileira, em resposta à campanha de conscientização empreendida pelo governo, que está sendo fundamental para a redução do consumo e, consequentemente, da produção de Itaipu.


