Itaipu inicia rebaixamento do lago
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segunda-feira, 01 de outubro de 2001
Alexandre Palmar<br> De Foz do Iguaçu 
A Itaipu Binacional iniciou ontem o rebaixamento do Lago de Itaipu para aumentar sua produção de energia e socorrer os estados afetados pela crise energética. A medida emergencial atende ao pedido do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), pois as demais usinas da Bacia do Paraná estão sem condições de garantir o abastecimento mínimo para o Sudeste e Centro-Oeste do País. A hidrelétrica é responsável por 25% da energia consumida no Brasil.
A decisão foi tomada em conjunto pelo diretor-geral do lado brasileiro, Euclides Scalco; e pelo diretor-geral paraguaio, Federico Zayas. Ontem, o nível do reservatório foi reduzido em 20 centímetros, caindo de 219 metros acima do nível do mar para 218,8. O comunicado oficial não descreve o impacto da medida, mas técnicos estimam que o lago seja rebaixado cinco metros até janeiro do próximo ano.
O aproveitamento maior da água acumulada permitiu a usina acionar 16 das suas 18 turbinas, aumentando sua produção de 8 mil megawatts (MW) para 9,3 mil megawatts. A energia adicional é suficiente para abastecer duas cidades com 1,5 milhão de habitantes, como Curitiba. Uma unidade está parada e outra está em manutenção de rotina. Na semana passada, cinco máquinas estavam desligadas.
Caso seja necessário, a usina pode acionar toda sua capacidade de produção, de 12,6 mil megawatts. Mas, segundo a divisão de imprensa, é improvável que todos as turbinas sejam colocadas em funcionamento ao mesmo tempo. O rebaixamento pode ser suspenso se outras usinas da Bacia do Paraná, como a Hidrelétrica Furnas, em Minas Gerais, recuperarem os níveis de seus reservatórios. Hoje, o nível do reservatório mineiro está em 15%.
Esta é a segunda vez em 17 anos que Itaipu é obrigada a rebaixar o nível do lago. A primeira vez aconteceu entre novembro de 1999 e janeiro de 2000, quando a altura do reservatório foi reduzida para 215,3 metros. Segundo a binacional, o rabaixamento ocorre porque o volume de água vindo do Sudeste e Centro-Oeste por Guaíra diminuiu. A vazão caiu de 10 mil metros cúbicos por segundo para 6 mil metros cúbicos por segundo.
O rebaixamento deve prejudicar o turismo dos municípios vizinhos ao Lago de Itaipu, que têm nas praias artificiais uma grande fonte de recursos. Também pode causar um impacto ambiental para as faixas de preservação lindeiras ao reservatório, além de possibilitar a proliferação de mosquitos transmissores de doenças como malária com a criação de pequenas lagoas nas margens.


