Itaipu Binacional inaugura mais uma turbina
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sábado, 20 de maio de 2006
Renée Pereira<br> Agência Estado<br> Enviado especial 
Foz do Iguaçu Depois de 31 anos de dedicação, o engenheiro Carlos Armando Sperotto prepara sua despedida da maior hidrelétrica do mundo. Mas, antes de se aposentar, ele quer marcar seu nome na história do setor elétrico como um dos homens que começaram e terminaram a construção de Itaipu Binacional considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno pela Sociedade Americana de Engenharia, ao lado do Eurotúnel (no Canal da Mancha), Empire State Building e a ponte Golden Gate (EUA).
Itaipu era apenas um amontoado de terras, caminhões e escavadeiras quando Sperotto chegou a Foz do Iguaçu (PR), aos 22 anos de idade, vindo do Rio de Janeiro. Inaugurou a primeira turbina da hidrelétrica em 5 de maio de 1984 e, neste ano, conclui a última etapa de construção da hidrelétrica, que completou na quarta-feira 32 anos de idade. ''Vim para ficar dois anos, acabei trazendo minha mulher, tive dois filhos e já vou me aposentar.''
A penúltima turbina entra em teste de confiabilidade esta semana e deve começar a operar no sistema interligado brasileiro em 45 dias. A última máquina está em fase de ajuste técnico e também vai iniciar operação até o fim do ano. Com isso, Itaipu fecha o ciclo de expansão, soma 20 turbinas e eleva sua potência para 14 mil MW. ''As duas turbinas nos darão mais tranquilidade nas manutenções periódicas da hidrelétrica'', afirma o diretor-geral brasileiro, Jorge Samek.
A conclusão da usina também marca o esgotamento dos grandes potenciais hídricos das regiões Sul e Sudeste do País. A partir de agora, hidrelétricas de grande porte só no Norte e Centro-Oeste, áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental. ''Em Itaipu não há mais espaço para elevar a capacidade. Agora entramos na fase de modernização dos equipamentos'', diz Sperotto.
O engenheiro já está acostumado com a grandeza da usina. Tudo é gigante, desde as turbinas, condutos até o sistema de transmissão. O tamanho é traduzido em números. Só a barragem tem 196 metros de altura o equivalente a um prédio de 65 andares e 7.790 metros de comprimento. Já o vertedouro tem 390 metros de largura e 483 metros de comprimento.
Na construção, foram usados 12,57 milhões de metros cúbicos de concreto o suficiente para fazer 210 estádios do Maracanã (RJ). Já o ferro e aço usados dariam para edificar 380 vezes a Torre Eiffel, em Paris. Itaipu é responsável por cerca de 23% de toda energia consumida no Brasil e 95%, no Paraguai. Segundo cálculos, de 5 maio de 1984 até julho de 2005, a hidrelétrica produziu 1,3 bilhão de MWhora energia suficiente para abastecer o planeta durante 36 dias.
De acordo com o tratado, a energia produzida pela usina é dividida igualmente entre Brasil e Paraguai. Mas como o consumo é menor, o país vizinho usa apenas 5% da energia gerada. A restante é vendida ao Brasil. Essa cessão de eletricidade rende ao Paraguai uma receita de mais de US$ 60 milhões, afirma Samek. Além disso, desde 1985, a usina já pagou cerca de US$ 2,8 bilhões de royalties tanto para o Brasil como para o Paraguai.


