Brasília Israel foi o primeiro país a abrandar de total para parcial o embargo imposto à carne brasileira, informou ontem o Ministério da Agricultura. A restrição havia sido imposta depois da descoberta de focos de febre aftosa no rebanho de Mato Grosso do Sul, em outubro. No total, 49 países suspenderam, de forma parcial ou integral, as compras de carne bovina, suína ou de frango. O governo israelense informou que será permitido o comércio de carne bovina desossada e miúdos do Brasil, exceto dos produtos originários de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
O chefe do Departamento de Assuntos Internacionais e de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Donizeti Beraldo, comemorou a decisão de Israel de retomar as compras de carne bovina do Brasil. ''É um sinal muito positivo. O crescente número de países que embargaram o produto começa a retroceder'', avaliou. Em ofício encaminhado ontem ao ministério, o governo de Israel informa que a decisão foi tomada com base dos últimos informes sobre a situação dos focos de aftosa no País.
O Brasil não vende grande quantidade de carne para Israel. De acordo com números da CNA, entre janeiro e agosto Israel gastou US$ 30 milhões com compras de carne bovina brasileira. Esse valor, explicou Beraldo, representou 1,4% do total exportado pelo País no período. Ele lembrou a importância de a União Européia, principal mercado para a carne brasileira, retomar as compras. Outro importante mercado é o Egito, que comprou, naquele período, US$ 200 milhões em carnes. A Rússia gastou US$ 370 milhões com as importações brasileiras. Esses países mantêm o embargo ao produto brasileiro.
Beraldo admitiu que o embargo ''reduzirá, no curtíssimo prazo, a receita cambial em US$ 200 milhões''. A estimativa inicial da CNA era de faturamento de US$ 3,2 bilhões com as vendas externas de carne bovina, mas os focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul reduziram essa previsão para US$ 3 bilhões.
Novos focos - O chefe do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Jorge Caetano, informou que subiu para 24 o número de focos de aftosa em Mato Grosso do Sul. Exames laboratoriais confirmaram dois novos focos da doença no município de Japorã, que fica na região interditada. Os registros foram confirmados em assentamentos, o que, segundo o diretor, não surpreende o governo. Isso porque, pela proximidade, a disseminação do vírus é mais fácil.

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