Quem deixou de entregar ontem a Declaração de Isentos à Receita Federal terá nova oportunidade no próximo ano, em data ainda a ser fixada pelo governo. Ontem, no último dia do prazo inicialmente previsto para a confirmação do CPF (Cadastro de Pessoa Física), houve filas e confusão nas agências dos Correios e papelarias em Londrina para a compra e preenchimento do documento. Mas os que não conseguiram entregar a declaração não serão penalizados, tendo a chance de confirmar o cadastro no próximo ano, afirmou à Folha o delegado substituto da Receita Federal em Londrina, Marcelo Calheiros Soriano.
Segundo Soriano, quem não se recadastrar no próximo ano vai ter seu CPF suspenso em janeiro de 2000, com possibilidade de cancelamento definitivo. O prazo para o recadastramento terminou ontem em todo o País. Em Londrina, muitas pessoas deixaram para fazer a confirmação do número de CPF no último dia, gerando grandes filas nos Correios e nas papelarias que venderam os formulários. Os números de telefones da Receita ficaram ocupados o dia todo.
Cesar AugustoContribuintes disputaram formulários nas papelarias da cidadeO gerente substituto dos Correios, Alfredo do Carmo, disse que mais de 3,5 mil pessoas postaram os impressos ontem na agência centro, que ficou lotada. A Receita Federal e as casas lotéricas também receberam uma grande quantidade de formulários ontem. Cinco funcionários da delegacia da Receita de Londrina trabalharam na operação. O delegado Marcelo Soriano não soube informar quantas declarações foram feitas em Londrina.
Muita gente ganhou dinheiro com a confirmação de CPF na cidade. Os formulários, distribuídos gratuitamente pela Receita, foram vendidos por até R$ 2 por camelôs no centro da cidade. Um professor aposentado, que não quis revelar seu nome à reportagem, cobrava R$ 0,50 para preencher os impressos ao lado da agência central dos Correios. Na Papelaria Central foram vendidos cerca de dez mil formulários por R$ 0,10. Na Papelaria Arles, que vendeu 2,5 mil unidades, o preço era de R$ 0,50.
Irenisa Gomes da Silva esperou mais de duas horas na fila dos Correios para postar sua declaração. Ela estava confusa sobre qual impresso teria validade. ‘‘Comprei o formulário de um cambista por R$ 1,50 e paguei mais R$ 0,50 para um senhor preencher para mim porque pensei que era complicado. Fui enganada duplamente. Na fila, estão falando que o formulário vendido pelos Correios é mais garantido. Vou ter que comprar outro’’, reclamou.

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