Isenção pode aliviar peso do aumento
São Paulo - O que poderá aliviar o peso acumulado da alta geral de preços é a isenção do PIS/Cofins sobre defensivos, sementes e fertilizantes, aprovada em 27 de julho. A alíquota de 9,25% foi reduzida a 0. Por conta disso, a indústria de fertilizantes acumulou estoques. ''É uma redução importante, cujo efeito se dará daqui até o final do ano'', diz Daher. Já o frete não obteve isenção do tributo.
Das vendas totais de fertilizantes, apenas 35% normalmente são realizadas no primeiro semestre. Dos demais 65%, a maior parte é efetivada durante o plantio da safra de verão, entre setembro a novembro, segundo a Anda. ''É por isso que a alta do petróleo preocupa'', diz o analista André Pessôa. ''É exatamente esta a hora em que os produtores estão definindo o que vão plantar e fazendo as compras de insumos.''
Segundo o sócio-diretor da Agroconsult, o custo vai aumentar na proporção do uso de nitrogenados na adubação nas lavouras. ''Culturas como o milho e o algodão são mais afetadas'', afirma. A soja, principal item agrícola das exportações, praticamente não utiliza nitrogênio em sua adubação. ''Este cenário deve contribuir para aumentar a proporção da soja, em comparação com outras produções.'' A própria rentabilidade do milho nesta última safra, diz Pessoa, afasta produtores de baixo e médio investimento, que pretendem se concentrar na soja. ''A preocupação é que essa alta de custos faça com que mesmo produtores altamente tecnificados e de alto investimento percam o estímulo para plantar'', diz o analista. ''A princípio, estava calculando que a área plantada de milho ficaria estável na safra 2004/05, mas há sinais de que possa haver um recuo.'' (AE)





