Curitiba Os moinhos de trigo do Paraná correm o risco de perder 60% do mercado, caso o governo de São Paulo cumpra sua promessa de isentar o ICMS sobre o trigo em grão e a farinha. A isenção não pára por aí. O governador Geraldo Alckmin vai encaminhar amanhãum projeto de lei à Assembléia Legislativa de São Paulo, estendendo a isenção do ICMS para derivados de farinha de trigo como massas populares, pão francês e quatro tipos de bolachas, todos produtos incluídos na cesta básica.
''A indústria paranaense de trigo está em pânico, porque dessa forma estará fora do seu principal mercado que é São Paulo'', disse o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná, Roland Guth. Ele prevê que os reflexos negativos vão atingir toda a cadeia produtiva do trigo na região Sul do País. ''Se não tivermos para quem vender a farinha, vamos reduzir drasticamente a compra do grão'', afirmou. Segundo Guth, os moinhos paranaenses moem 85% do trigo produzido no Estado, enquanto os moinhos paulistas moem 85% de trigo importado.
Guth também prevê problemas para a venda direta dos produtores e cooperativas paranaenses para os moinhos paulistas. A operação interestadual é tributada em 12% e os paulistas só vão comprar o produto se puderem desovar os créditos acumulados nessa operação com outras vendas interestaduais, explicou. Ou seja à compra será na medida que conseguirem ampliar mercados em outros estados. Ele prevê consequências negativas também para empresas terceirizadas que fazem a logística de vendas e tranportes, além dos fornecedores de insumos e embalagens.
O Paraná conta com cerca de 40 moinhos que processam 1,8 milhão de toneladas de trigo, dos quais 75% desse total resulta na produção de farinha. O setor gera cerca de três mil empregos diretos no Estado. Segundo Guth, os moinhos investiram bastante em tecnologia nos últimos anos para elevar a qualidade dos produtos e não podem ser submetidos agora ''a essa guerra fiscal que é uma das mais violentas''.
A isenção de ICMS para a farinha e derivados em São Paulo vai prejudicar os três Estados do Sul, que são os maiores produtores. São Paulo produz apenas 120 mil toneladas por ano. Na safra passada foram produzidas 5,8 milhões de toneladas de grãos, dos quais só o Paraná foi responsável por três milhões de toneladas.
Para o empresário paulista Lawrence Pih, diretor do Moinho Pacífico, é um equivoco alegar guerra fiscal, ''quando o governador Alckmim só quer baratear o custo dos produtos básicos aos consumidores'', disse. Segundo Pih, ''o governo do Paraná pode fazer a mesma coisa'', emendou. Além disso, ''quem fez guerra fiscal antes foram os Estados do Sul que reduziram as alíquotas da farinha e derivados para 7% quando a lei determina 12%, sem que a medida fosse submetida ao Conselho de Política Fazendária (Confaz)'', disse. De acordo com o empresário, os moinhos paranaenses devem vender no próprio estado e ''não invadir nosso mercado''.

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