Irritado, FHC garante venda da estatal
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quarta-feira, 30 de abril de 1997
Agência Estado 
Wilson Pedrosa/Agência Estado
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DiscursoO presidente FHC conversa com o ministro Paulo Paiva durante reunião sobre geração de emprego, no Planalto: Não há solução para o social sem o econômicoBRASÍLIA - Nas duas cerimônias públicas em que discursou ontem, o presidente Fernando Henrique Cardoso deixou clara sua irritação com o adiamento do leilão de privatização da Vale do Rio Doce. Fernando Henrique criticou as manifestações contrárias dos setores ideologicamente ligados a idéia de que bom é fazer barulho e garantiu que o governo continuará avançando no programa de privatizações, respeitando os procedimentos legais.
Na solenidade de lançamento do edital para a privatização da última malha ferroviária federal que resta transferir ao setor privado (a Malha Nordeste), o presidente cobrou um sentimento do Brasil no mundo e comentou que era sintomático que a discussão dos avanços da privatização na malha ferroviária acontecesse no dia de ontem. Disse ainda que o País passa por um momento decisivo de mudanças. Mudanças para o bem do Brasil, para o bem da sociedade brasileira, e não haverá recuo.
É muito triste ver quando as pessoas deixam de ter a sensibilidade verdadeira para com o social e para com os desafios nacionais e, aferrados, a um olhar do passado, querem impedir que o Brasil avance para o futuro, reclamou. O povo percebe as coisas, intui quando não tem informação direta e sabe que o caminho é construtivo.
Histeria - Na manhã de terça-feira, quando o leilão estava ameaçado pela grande enxurrada de ações judiciais, o presidente optou por dissimular a preocupação. No único contato com os jornalistas, preferiu brincar para não comentar o assunto. Vale hoje? Vale o quê? Vale-refeição?, limitou-se a responder.
Ontem, na mesma linha, classificou de histeria do contra as manifestações realizadas para protestar contra a privatização da empresa. Nós somos o País do Carnaval, estamos habituados com barulho, até gostamos, mas sabemos que não é por aí, que temos que ter o nosso esforço é noutra direção.
Questão social Durante reunião de balanço do governo sobre criação de empregos, ontem a tarde no Palácio do Planalto, Fernando Henrique chamou de ignorante quem insiste em afirmar que o governo não tem sensibilidade para o social. O social não é uma discreta ação demagógica, de uma propaganda ou de uma gritaria, disse. Segundo FHC, as ações do governo visam a melhorar o atendimento à população e, por isso mesmo, as principais instituições financeiras, como Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o BNDES), o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia estão mudando para atender o social.
FHC ressaltou que as decisões políticas do governo têm como objetivo aumentar o nível de emprego. Para o presidente, pessoas que não têm sensibilidade efetiva, nem para o mundo, nem para o social verdadeiro, continuam avaliando o social como se fosse uma questão isolada. Não há solução para o social sem o econômico, disse o presidente.
Após justificar que as mudanças feitas no governo tinham por objetivo atender a área social, o presidente comentou que elas são difíceis de serem colocadas em prática. Não se muda de repente toda uma estrutura, nem uma mentalidade, para atender realmente a demanda que está espalhada por aí. Para o presidente, o que esta gente ignorante pensa do social é o velho, é aquele atendimento pulverizado, pequenininho, que, é claro, precisa se ver também. Segundo Fernando Henrique, o governo está universalizando a preocupação com o social.
Ao se referir ao salário mínimo, o presidente afirmou que ele está aumentando graças às novas formas de participação nos lucros. Para o presidente, o salário mínimo, que no passado era uma guilhotina, vai diminuindo crescentemente de importância, porque cada vez menos trabalhadores recebem o mínimo.


