As irregularidades no mercado brasileiro de combustíveis vêm enervando as empresas internacionais que operam no setor. Na sexta-feira passada, a italiana Eni conseguiu finalmente vender sua subsidiária brasileira Agip para a Petrobras por US$ 450 milhões e sair do Brasil. Embora sua principal atividade fosse no mercado de gás de cozinha, do qual tinha uma fatia de 21%, o negócio também vai transferir para a Petrobras 1,7 mil postos de combustíveis, ou 4% do mercado total no País.
Na sexta-feira, a Agip não comentou suas razões para o negócio. Mas um texto publicado no site da americana Shell na internet é uma amostra de quanto as irregularidades na concorrência vêm irritando a empresa que está no mercado brasileiro de distribuição de combustíveis há quase um século.
''Nos últimos anos, práticas irregulares de companhias sem ética vêm ameaçando a própria existência do setor legítimo de distribuição no Brasil'', diz a Shell, referindo-se à adulteração, fraude e sonegação fiscal. ''Tais práticas permitiram que essas empresas ganhassem uma fatia de mercado substancial, já que é praticamente impossível para empresas legítimas competirem em condições iguais.''
Sem citar valores, a Shell diz que a sonegação anual por parte dessas empresas corresponde a recursos suficientes para a construção de 340 mil salas de aula, 35 mil casas para a baixa renda ou 10 mil hospitais. ''Enquanto as companhias sem ética multiplicam suas margens de lucro, a capacidade do governo de investir em programas sociais muito necessários fica consideravelmente reduzida.'' (AE)

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