Irregularidade afeta evolução do mercado
Os reflexos da sonegação são imensuráveis, segundo Roberto Fregonese, presidente do Sindicombustíveis-PR. Como exemplo, o empresário revela que o mercado de álcool no Paraná cresceu 15,2%, no acumulado de janeiro a agosto deste ano. Em compensação, no Estado de Santa Catarina (SC) cresceu 44,4% e no Rio Grande do Sul (RS), 38,3%. Com esse tipo de levantamento a gente começa a ver como a irregularidade acaba afetando a economia, pontua, lembrando que entre as ilegalidades está a venda direta da usina para o posto. E destaca que esse crescimento pequeno do Estado é muito mais relevante se for levado em conta que o Paraná é produtor. Somos responsáveis por 8% do consumo do País. Com irregularidades perde o consumidor, perde o Estado, perdemos todos.
No caso da gasolina, o mercado também está contaminado. O consumo cresceu 9,9% no Paraná, entre janeiro e agosto deste ano. SC cresceu 2,5% e RS 2,7%. Quando se olha para o mercado do diesel, segundo Fregonese, que é mais controlado, no Paraná as vendas caíram 1,96%, em SC tiveram queda de 3,94% e no RS 1,55%.
O representante do Sindicombustíveis sugere, além das investigações por parte do poder público, que o consumidor faça a sua parte. O consumidor, acrescenta ele, está exposto pois o combustível é o único produto que ele compra e não vê, não sabe a quantidade, a qualidade. Mas ele pode tomar algumas atitudes como pedir o teste de qualidade e quantidade se duvidar de alguma coisa e pedir a nota fiscal, que é muito simples, pontua.
Diferença de mercados
Em todo o Estado o mercado de álcool é bastante complicado. O problema é que em Londrina, segundo Fregonese, há um número grande de postos - 116 - para uma população pequena, além disso está muito próximo a áreas produtoras, o que pode facilitar irregula-ridades. Mas talvez em Londrina o problema pareça maior que em outras cidades do Paraná porque está mais exposta, tem uma imprensa mais ativa, um poder público mais atento e consumidores que cobram mais, frisa.
Em Curitiba, conforme o empresário, há outras complexidades. Na capital há um grande número de estabelecimentos também: cerca de 400. O mercado é autofágico, completa. Por exemplo, 67% dos postos são de alguma bandeira, enquanto em Londrina a proporção é quase de metade de bandeirados e metade de bandeira branca. Não quer dizer que os postos de bandeira branca sejam irregulares, mas têm um custo diferente dos bandeirados, conclui. (E.Z.)





