A falta de um testamento ou doação pode gerar problemas e dores de cabeça para as famílias. O drama na disputa de bens não é fato novo no mundo. Vários inventários geram discórdia familiares porque nem sempre todos os herdeiros pensam da mesma forma. É o que está acorrendo com Maria, que tem 10 irmãos. Ela sempre morou com os pais, que faleceram há pouco mais de dois anos. O imóvel onde eles residiam, próximo a Área Central, consta do inventário que tramita na 7 Vara Civil.
Pelo menos sete irmãos estão querendo que o imóvel seja vendido e a renda obtida dividida, mas outros quatro querem que o imóvel permaneça com Maria - até porque é solteira e sempre foi a única a residir com os pais na casa. Se isso ocorrer, a parte que cabe a Maria não será suficiente para comprar outro imóvel. ''Pelos menos três irmãos já concordaram em repassar a parte deles para mim, porque sou a única que não tenho casa, mas o restante insiste na venda''.
''Só poderei ficar na casa, se tiver dinheiro para comprar a parte dos outros sete irmãos. Não tenho condições porque estou desempregada e, pelo jeito, vou ter que sair da casa'', diz Maria, que durante o tempo em que morou no imóvel com os pais fez algumas reformas para mantê-lo em boas condições: pinturas, colocação de grades nos portões, entre outras benfeitorias.
''A lei não me assegura absolutamente nada. O mesmo direito que eu tenho, eles, que nunca fizeram nada pelo imóvel, têm'', conta ela, lembrando que a mãe tentou fazer um testamento para deixar o imóvel no nome dela, mas na época o pai já tinha morrido e a parte dele automaticamente já estava incluída no inventário.(V.B.)

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