Irlandeses recusarão nova lista de propriedades
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2008
Jamil Chade, enviado especial<br>Agência Estado 
Dublin- Os principais lobistas na Europa contra a importação de carne brasileira - os produtores de carne da Irlanda - não aceitarão a nova lista proposta pelo Brasil à Comissão Européia com pouco mais de 600 fazendas autorizadas a exportar. Já em Bruxelas, as autoridades da UE se negam a comentar oficialmente a informação de que o Brasil apresentaria uma nova lista.
Os irlandeses foram os mais afetados nos últimos dois anos pela concorrência da carne nacional e, diante de seus preços pouco competitivos, perderam mercado para o Brasil. Agora, aproveitam dos problemas sanitários no País para tentar reconquistar uma fatia do consumo europeu. Em Dublin, a Associação de Fazendeiros da Irlanda afirma que insistirá com a UE para que não aceite a nova lista.
''A UE pediu 300 fazendas e, para um europeu, 300 não são 400 nem 600'', afirmou Kevin Kinfella, um dos representantes da poderosa entidade. Os irlandeses ainda apontam que a nova lista brasileira deve ser vista com desconfiança pela Comissão Européia. ''O Brasil perdeu toda sua credibilidade ao desafiar a Europa'', disse o presidente da entidade, Padraiog Walshe. O lobby de Dublin irá pressionar Bruxelas nos próximos dias para que não aceite qualquer proposta que passe de 3% do total das fazendas brasileiras. Mesmo essas terão de ser inspecionadas pelos veterinários europeus.
''A comissária Agrícola da UE, Mariann Fischer Boel, já nos garantiu que não haverá uma lista brasileira com mais de 300 propriedades'', explicou Kinfella. Em Bruxelas, os porta-vozes da Europa evitam fazer qualquer comentário sobre a nova lista. ''Não temos nada a dizer sobre isso'', afirmou uma das assessoras, insinuando que as exigências dos europeus continuam sendo as mesmas que em janeiro.
Já a embaixada do Brasil em Bruxelas aponta que, por enquanto, não recebeu nenhuma indicação de Brasília sobre como será a lista. Na quarta-feira, a única informação foi uma nova carta dos europeus alertando que serão rígidos e relação ao controle sanitário.
A UE enviará uma missão ao Brasil no próximo dia 25 para discutir o assunto e visitar as propriedades. ''O Brasil não está levando a UE a sério'', afirmou Walshe. ''Não somos a Bolívia'', completou Kinfella.


