Iraque suspende exportação de petróleo
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segunda-feira, 08 de abril de 2002
Das agências 
O presidente do Iraque, Saddam Hussein, decidiu ontem suspender por 30 dias as exportações de petróleo de seu país. A decisão foi anunciada em discurso à nação. Às 7 horas de Brasília, parou o bombeamento de petróleo para o estrangeiro através do terminal turco de Ceyhan e o de Al-Bakr no Golfo Pérsico, anunciou o Ministério de Petróleo iraquiano em um comunicado à imprensa. A medida foi uma retaliação aos ataques israelenses a palestinos.
A decisão repercutiu na cotação internacional. Os contratos futuros de petróleo Brent fecharam em forte alta na International Petroleum Exchange (IPE), em Londres. Os contratos de petróleo Brent para maio fecharam em US$ 27,02 o barril, em alta de US$ 1,03. A mínima foi de US$ 26,40 e a máxima de US$ 27,43.
No Brasil, a decisão do governo iraquiano não deve provocar uma explosão no preço da commodity, na avaliação de especialistas no setor. O preço deve manter-se no atual nível por volta dos US$ 27 por barril , a menos que o conflito entre israelenses e palestinos se generalize ou outros países sigam o exemplo do Iraque.
Caso as expectativas se confirmem, os preços dos combustíveis no Brasil podem não sofrer alterações significativas, pois são balizados por médias de variação nos preços internacionais em um prazo de 15 dias. Nesse modelo, o preço da gasolina já subiu 23% desde o início do ano. Até o início da noite de ontem, fim do prazo de 15 dias do último aumento do preço diesel, a estatal não havia anunciado nenhum novo reajuste.
De acordo com o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, a Petrobras tem sido obrigada a elevar os preços da gasolina devido a uma circunstância mundial. A equipe econômica tem compreendido a posição da empresa, não há uma interferência do governo (no aumento dos preços), disse. Parente acrescentou que é importante olhar o que está acontecendo em volta, os efeitos (da alta do petróleo) estão acontecendo no Brasil como em outros países.
O embargo iraquiano é um desdobramento negativo da crise, mas ainda não é muito preocupante, afirma Mônica Araújo, analista de petróleo da BES Securities. Segundo a analista da corretora, a posição do Iraque no comércio mundial de petróleo não chega a ser desprezível, mas existem outros países que podem compensar a queda na produção. O Iraque é responsável por 3,2% da oferta global de petróleo.
A decisão do governo iraquiano deve ter uma pressão apenas pontual sobre os preços, na opinião da analista de petróleo da Tendências, Fabiana Fantoni. Ela também acredita que a situação será amenizada pelo aparecimento de outras fontes supridoras. Além disso, opina, o Iraque depende das exportações de petróleo e não deve manter o corte de produção por muito tempo.
Para o vice-presidente da norte-americana El Paso, Maurício Ferreira, o presidente iraquiano, Saddam Hussein, apenas antecipou uma parada de produção já esperada pelo mercado.


