Depois de anunciar que o presidente Fernando Henrique Cardoso não vetaria o projeto que corrige a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física em 20%, o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), afirmou ontem que, como último recurso, deverá apresentar uma nova proposta, no plenário, igual ou semelhante à defendida há um mês pelo secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Por esse projeto, deverão ser criadas duas novas alíquotas: de 30% e de 35%. A correção de 20% faz parte de um acordo entre PFL, PMDB e oposição, que assinaram conjuntamente uma emenda a ser apresentada na Câmara.
Os partidos defensores da correção de 20% argumentam que têm as assinaturas suficientes para garantir a urgência da emenda. E poderiam tentar votá-la ainda nesta semana. Mas Madeira não acredita nessa possibilidade. O governo alega que o reajuste de 20% na tabela do IR causará perdas muito grandes de receitas, que deixariam um buraco de cerca de R$ 3,3 bilhões nas contas de 2002.
Para evitar o buraco, o presidente Fernando Henrique seria obrigado a fazer um corte linear de R$ 3,3 bilhões nos R$ 4,5 bilhões previstos para o atendimento a emendas de bancadas ao Orçamento da União. Isso tem assustado os parlamentares. ''Se for aprovada a correção na tabela do IR, não há como deixar de cortar as emendas das bancadas'', afirma o líder do governo na Comissão de Orçamento, Ricardo Barros (PPB-PR). O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) reage: ''Não dá para tirar o dinheiro das emendas'', afirma.

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