Nas últimas semanas os contadores de todo o Brasil transformaram suas salas de trabalho quase que em um confessionário. Este é o período mais doloroso do ano para todo contribuinte. É o momento de se mostrar para o Leão do Imposto de Renda. E este Leão sofre do pecado da gula, nunca, absolutamente nunca está satisfeito.
Neste momento em que o contribuinte demonstra tudo o que ganhou e o que gastou no ano anterior, não há contador que não tenha recebido pelo menos um cliente que, depois de confessar seus pecadilhos, peça a ele para que dê um ''jeitinho'' de pagar menos imposto do que ele realmente deve.
A má notícia é que os contadores, ao contrário dos padres, não podem oferecer o perdão divino. E o ajuste de contas tem que ser aqui na terra mesmo, não se pode protelar para que a justiça divina resolva.
O fato é que o tempo do ''jeitinho'' está com os dias contados. Hoje a Receita Federal do Brasil, ao contrário de vários setores do governo, é muito competente no que faz e dispõe de tecnologia altamente avançada, que não admite mais que mesmo os menores pecadilhos tributários sejam perdoados.
Segundo a Receita Federal, o maior índice de problemas encontrados nas declarações dos que caem na malha fina é a omissão de receita. É o caso de vários profissionais que atuam em duas ou mais empresas. Todo o rendimento auferido durante o ano precisa ser declarado. Muitas vezes o contribuinte trabalha em duas empresas diferentes, mas declara o salário recebido em apenas uma delas. Esta pessoa é candidata a cair na malha fina.
Outro alerta é que, além do contribuinte, o contador também pode ser penalizado caso passe alguma informação errada para a Receita.
''Ninguém gosta de pagar imposto. Até o nome já diz: imposto. Mas o problema em si não é pagar imposto e sim não vê-lo retornar em benefícios para a sociedade. Por exemplo, uma pessoa que recebe de salário R$ 10 mil, entrega para o governo R$ 4 mil no mínimo. Não é justo. Aí o contribuinte se revolta mesmo'', diz o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro.
Mas é de assustar mesmo. Em 1947 a carga tributária no Brasil representava 13,8% do Produto Interno Bruto. 20 anos depois o brasileiro já pagava o equivalente a 19,37% do PIB. Em 2005 bateu na casa dos 37,37%. Em alguns setores da economia a carga ultrapassa os 40% do PIB.
''Esta revolta com a escorchante carga tributária provoca um sentimento de revolta no contribuinte. Em alguns segmentos percebe-se que a tentativa de sonegação não é pela falta de vontade de pagar ou pela consciência da necessidade de que o dinheiro é importante para a manutenção do sistema de saúde, educação ou infra-estrutura. Mas por saber que o governo não retorna para a sociedade a contrapartida equivalente ao que ele retira dela'', reflete Ribeiro.
E isto, segundo ele, acaba provocando um outro problema que é a questão ética. Como, questiona Ribeiro, um pai vai ensinar ética para o filho se ele sonega impostos, se vende produtos contrabandeados. ''Temos que refletir sobre isso. Hoje, mais uma vez, está se discutindo a Reforma Tributária. É preciso que todos, principalmente as entidades representativas de classe e de empresas, se unam para cobrar uma mudança efetiva''.
Fonte: Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Perícias de Londrina - Sescap-Ldr

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