Iquique, no Chile, é nova zona franca dos empresários do PR
Empresários paranaenses estão descobrindo, às margens do Oceano Pacífico, um grande centro de compras para abastecer suas lojas com mercadorias de todo o mundo: a pujante Zona Franca de Iquique, encravada entre o mar e o Deserto de Atacama, no norte do Chile. A instituição de uma zona franca permite a entrada em um país de mercadorias estrangeiras sem o pagamento de impostos e taxas aduaneiras.
Dos cerca de 400 brasileiros que viajam todos os meses para Iquique pela companhia aéra TAM Mercosul - a única que mantém vôos regulares entre o Brasil e o norte chileno -, 80% são paranaenses. O forte da nossa clientela são atacadistas e lojistas do Sul do Brasil, principalmente de Maringá e Curitiba, informa Ricardo Martins Andrade, gerente geral da TAM Mercosul para o norte do Chile.
Na opinião de Renata Mestriner, diretora da Global Assessoria em Comércio Exterior, de Maringá, em Iquique os empresários paranaenses podem comprar mercadorias em pequenas quantidades e por preços muito próximos dos cobrados pelos fabricantes - que só vendem contêineres fechados. É como se eles fossem importar diretamente da China, com a mesma tributação do país de origem, compara Renata, cuja empresa intermedia as importações feitas a partir de Iquique por cinco empresários maringaenses.
Outra vantagem da zona franca chilena é sua proximidade com o Paraná. Enquanto Iquique está a cerca de 2,7 mil quilômetros do Estado, Manaus - cidade que abriga a mais importante zona franca brasileira - fica a 4 mil quilômetros de Curitiba. Isso faz com que o preço do transporte das mercadorias seja menor e os caminhões cheguem mais rápido ao destino. Se o empresário fechar o negócio hoje, vai receber a carga no Paraná em, no máximo, dez dias, afirma Andrade.
Ney de SouzaMarketingJorge Soria Quiroga, prefeito de Iquique: O Brasil só será uma grande nação quando, além do Atlântico, dominar também o PacíficoA opção por Iquique está levando os paranaenses a abandonar outra zona franca da América do Sul: Ciudad del Este, no Paraguai, fronteira com Foz do Iguaçu. Essa foi a opção do comerciante maringaense Marcos Biegas. Há cerca de dois anos, ele passou a comprar, por intermédio de despachantes, peças, pneus e até bicicletas montadas em Iquique para revender em sua bicicletaria, em Maringá.
Segundo Biegas, a mudança compensou porque os preços da zona franca chilena são mais baixos. Atualmente, com a abertura de mercado, o empresário já importa diretamente dos países produtores, principalmente da China e do sudeste asiático.
Instalada há 21 anos, a Zona Franca de Iquique revolucionou a economia do norte chileno. Em 1977, quando o complexo entrou em operação, Iquique (capital da Primeira Região, o equivalente a Estado) tinha 75 mil habitantes. Hoje, a cidade - a 1.864 quilômetros ao norte da capital, Santiago - já ultrapassa os 250 mil habitantes e centraliza a região mais próspera do país.
Nos últimos cinco anos, o Produto Interno Bruto (PIB) de Iquique cresceu a um ritmo de 14% ao ano - o dobro do índice chileno, que é o maior entre os países da América do Sul. Seu crescimento imobiliário é ainda maior: 15% ao ano, cinco pontos acima da média chilena.
A Zona Franca de Iquique acompanha esse ritmo. Instalada em uma área de 246 hectares e com uma estrutura mista - que reúne núcleos industrial, ainda em crescimento, e comercial - a zona franca movimenta US$ 4 bilhões por ano. Metade desse valor é representado por vendas (60% para o exterior). O faturamento da Zona Franca de Manaus, que concentra grandes indústrias de aparelhos eletroeletrônicos, atingiu US$ 11,8 bilhões no ano passado.
Oitavo maior cliente da Zona Franca de Iquique, o Brasil comprou, em 97, mercadorias no valor de US$ 20 milhões. Não há levantamentos sobre a participação paranaense nesse montante. O maior cliente é a Bolívia (US$ 500 milhões em 97), o Peru (US$ 290 milhões) e o Paraguai (US$ 150 milhões).
Nossa principal vantagem e a localização, no centro do Cone Sul da América, e numa posição estratégica em relação ao emergente mercado asiático, explica o gerente geral da zona franca, Luis Vicente Unanue Verdugo. De economia mista, o complexo é administrado por uma sociedade anônima: 52% do capital está nas mãos do Estado e 48% pertence à iniciativa privada. No local, operam 1.800 empresas, que dão trabalho a 10 mil pessoas.
A vedete da Zona Franca de Iquique é um bem montado shopping center de varejo, o único do mundo instalado nesse tipo de estrutura comercial. Bem estruturado (com 360 lojas, restaurantes, casas de câmbio e bancos), limpo e seguro, o shopping recebe anualmente mais de 5 milhões de clientes.
Na Zona Franca de Iquique, os turistas estrangeiros podem comprar o equivalente a US$ 1,5 mil sem o pagamento de impostos. Em Manaus, a cota para os brasileiros é de US$ 4,8 mil e em Ciudad del Este, de apenas US$ 150.
O repórter Valmir Denardin e o repórter-fotográfico Ney de Souza viajaram ao Chile a convite da Foztur e da TAM Mercosul.Ney de SouzaParaíso das comprasBrasileiros já estão na 8ª colocação entre os clientes das 1.800 lojas da zona franca de Iquique, no norte do Chile. Eles têm acesso a produtos fabricados em praticamente todas as partes do mundoValmir Denardin
Enviado a Iquique, Chile





