Rio - O Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 1,5% em janeiro de 2014, a segunda maior alta mensal de toda a série do indicador, iniciada em janeiro de 2010, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro de 2013, a taxa havia ficado em 0,60%, conforme dado revisado pelo instituto.
A alta só não foi maior do que em maio de 2012, quando o IPP subiu 1,69%. Mas o dólar, que há alguns meses era o principal responsável por acelerações no IPP , ficou mais comportado e não teve papel relevante para impulsionar a taxa em janeiro, afirmou o gerente da pesquisa, Alexandre Brandão, da Coordenação de Indústria do IBGE.
"O dólar não aumentou tanto. Então, atividades que não são tão ligadas ao dólar subiram bastante", disse Brandão. Em janeiro, segundo o gerente, o dólar se valorizou 1,58%, um ritmo bem menor do que os 4,89% verificados em novembro de 2013, por exemplo. Naquele mês, o IPP teve alta de 0,64%, depois de cair 0,45% em outubro.
A aceleração foi provocada por reajustes reais nos preços dos produtos comercializados na "porta da fábrica", antes da incidência de impostos. Na metalurgia, a alta foi de 4,26%, a maior para o segmento em toda a série e uma das mais elevadas entre as 23 atividades pesquisadas, com contribuição de 0,33 ponto porcentual na taxa do mês. "As empresas explicaram que foi o ambiente de mercado. Dá a impressão de que eles estão se reposicionando, acharam que o momento era propício para aumentar preço", disse Brandão.
O segmento de refino de petróleo e produtos de álcool subiu 4,51% e respondeu por um terço da alta de janeiro (0,5 ponto porcentual). O reajuste de 15% nos preços do óleo combustível foi uma das principais causas para esse aumento.
A alta de 2,70% em papel e celulose também foi influenciada por fatores internos. "Tem mais a ver com demanda por papel e cadernos, o que deve refletir as compras de início de ano para as aulas", explicou o gerente. Apesar disso, Brandão não descarta que algumas atividades, como a de móveis (+3,16%), estejam incorporando efeitos defasados do câmbio, ajudando na aceleração do IPP.
O principal contrapeso no IPP de janeiro foi a alimentação, que deu uma trégua nos preços e caiu 1,25%. Assim, a contribuição de -0,25 ponto porcentual impediu uma aceleração ainda mais intensa do índice no primeiro mês do ano.
"Esse é um período de safra, estão colhendo a soja, então aumenta a oferta. Além disso, é um período em que a bacia leiteira produz fortemente", explicou Brandão, citando os derivados da soja e o leite como as principais influências baixistas no índice. Também contribuiu a carne bovina, que cedeu em função da demanda menos acentuada.

Imagem ilustrativa da imagem IPP tem segunda maior alta mensal da história
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