IPP em março é o maior da série
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de maio de 2015
Idiana Tomazelli<br>Agência Estado 
Rio - O efeito do dólar sobre os preços cobrados pela indústria de transformação levou o Índice de Preços ao Produtor (IPP) a registrar a maior alta desde janeiro de 2010, quando o indicador começou a ser investigado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ontem, o instituto informou que a taxa avançou 1,93% em março, mais da metade explicada por aumentos em outros produtos químicos, outros equipamentos de transporte (especialmente aviões) e alimentos.
Em abril, porém, o arrefecimento do câmbio pode dar uma trégua ao índice, embora ainda não seja possível apontar o impacto exato. "Há espaço para a recente queda do dólar ante o real aparecer no IPP de abril", disse Alexandre Brandão, gerente do IPP.
Em março, o real teve uma desvalorização de 11,5% ante o dólar, segundo o IBGE, o que contribuiu para impulsionar os preços em diversas atividades industriais. "Setores muito atrelados ao câmbio estão aparecendo como as principais influências", afirmou Brandão. Ao todo, 19 dos 23 ramos pesquisados pelo órgão registraram aumentos no período.
Entre os mais afetados pelo câmbio estão outros equipamentos de transporte, com alta de 7,86%, a maior entre os segmentos no mês. É nesta categoria que estão os aviões, negociados em dólar. Também sofrem influência papel e celulose, fumo, calçados e couro e metalurgia. No caso de outros produtos químicos, o avanço de 5,56% colocou o setor como o principal peso no resultado do mês (0,57 ponto porcentual).
Outro fator que recaiu sobre os preços na indústria em março foi a energia elétrica mais cara. "Tem um fator de custo que é a energia elétrica, que afeta vários setores. Alguns são mais (influenciados), como química, metalurgia, que são bastante intensivos no uso de energia elétrica", explicou Brandão.
Já os alimentos subiram 1,77% na indústria em março, puxados por soja e leite, mas o resultado poderia ter sido maior sem a ajuda "surpreendente" das carnes bovinas, que tiveram queda a despeito da desvalorização do real.
"É um pouco surpreendente essa queda (nos preços de carnes), mas esteve atrelada, segundo os informantes, a uma demanda externa mais fraca. Isso significa que a demanda externa por carne brasileira, a despeito do dólar mais valorizado, caiu", afirmou o gerente do IPP. "Às vezes tem uma questão sanitária, mas não parece ter sido isso", acrescentou.
O refino de petróleo e produção de álcool foi um dos poucos setores a apresentar queda em março (-0,66%). Segundo o IBGE, além do recuo nos preços do petróleo no mercado internacional, o resultado foi afetado pelo elevado nível de estoques de álcool.


