Brasília - O governo decidiu prorrogar por mais três meses a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os produtos da linha branca usando o critério da eficiência energética. A partir de agora, serão mais beneficiados com a desoneração os eletrodomésticos que consomem menos energia. ''Vamos renovar a desoneração tributária com um novo critério, o ambiental'', disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), Luiza Trajano, e o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula.
Além do incentivo ao consumo de produtos que contribuem para a eficiência energética, Mantega fez questão de ressaltar que o setor se comprometeu a repassar para os preços cobrados aos clientes a redução do imposto. Também assumiram o compromisso de continuar ampliando o emprego. ''Há um compromisso dos fabricantes e revendedores para que haja continuação do emprego. Haverá contratação maior de mão de obra, tanto no setor de comercialização quanto no de produção', afirmou o ministro.
Luiza Helena, do IDV, disse que o impacto no emprego será maior no varejo que na indústria. Segundo ela, o setor se comprometeu a contratar o equivalente entre 10% a 15% do seu quadro em funcionários temporários, nos meses de novembro e dezembro.
Sobre as novas regras para desoneração, ela afirmou que a medida foi bem recebida no varejo, e que 85% dos produtos já têm selo ambiental. ''Isso é bom para a classe C, que vai pagar menos energia. Deveria ser uma coisa natural, não deveríamos comprar um bem que gasta muita energia para o bem do Brasil'', disse. Segundo ela, o varejo só irá comprar eletrodomésticos da indústria com o selo ambiental.
Atropelo
Já Kiçula, da Eletros, deu apenas garantias de manter o quadro atual de funcionários na indústria. Ele destacou que a indústria não esperava ter que assumir o compromisso da eficiência energética agora. ''Temos um compromisso com a eficiência energética, mas não pensamos que seria agora e já''.
Para ele, o processo de produção deve ter um pouco de ''atropelo'' nos próximos dois meses, mas a tendência é que haja um ajuste. Se houver uma sinalização de que essa redução de IPI pode se tornar permanente, a indústria vai investir pesado.
Mantega também criticou os juros altos do crediário das empresas varejistas, que vendem os produtos da linha branca. A Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, conforme o ministro, está monitorando a evolução dos preços desde a primeira desoneração dada aos produtos da linha branca. De acordo com ele, os preços caíram sim, mas tanto os preços quanto os juros poderiam ter caído mais.
Sobre a decisão de beneficiar os produtos que consomem menos energia, o ministro afirmou que o grande objetivo do governo é que uma camada maior da população tenha acesso a esses produtos. Ele destacou que 60% da população não tem máquina de lavar roupa, ou o chamado tanquinho, que ''melhora o trabalho da dona de casa''.
Para Mantega, as medidas vão gerar mais movimento na economia, emprego e investimentos nesses setores. Edison Lobão destacou a importância desse tipo de desoneração por estimular os fabricantes a produzirem, cada vez mais, equipamentos com maior eficiência. Ele lembrou que a medida vai permitir o consumo menor de energia, diminuindo a necessidade de fontes energéticas mais ''sujas'', como termoelétricas.

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