IPI da construção gera dúvidas em lojistas
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domingo, 05 de abril de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) chegou ao setor de construção civil, mas os proprietários das lojas reclamam da falta de informações sobre como repassar os descontos. Segundo Ruy de Almeida Júnior, gerente de loja de materiais para construção Bruttus, ''tudo ainda está muito superficial''. ''Ainda preciso esperar para constatar se meus fornecedores vão baixar mesmo os preços. A definição disso ainda está muito remota'', alega.
Fernanda Corgoni, gerente do depósito São Marcos, também não sabe como proceder com relação aos descontos. ''Estou esperando ser notificada pela indústria, e no caso do cimento, por exemplo, estou esperando para repor o estoque para aproveitar a redução'', afirma. De acordo com Hiroshi Shimuta, diretor da Associação Nacional das Lojas de Materiais de Construção (Anamaco), as indústrias do ramo já deveriam desde quarta-feira (1) emitir faturas com o desconto. ''A publicação já foi feita no Diário Oficial e muitos seguraram os pedidos para aproveitar os melhores preços'', aponta.
Shimuta aconselha as casas de materiais para construção, que ainda possuem estoques comprados antes da redução do IPI, a ''dar um desconto sobre aquilo que já está no pátio''. ''É um momento propício, porque vai estimular as vendas. Se esperar até o estoque baixar, quem pode ganhar com isso é o vizinho que der o desconto primeiro. É uma ótima oportunidade de você deixar sua loja com fama de barateira'', defende Shimuta, que também é empresário do ramo e garante que já encampou uma liquidação.
Segundo Adriano Montanari, presidente da Federação das Associação das Lojas de Materiais de Construção de Londrina (Fecomac), a medida vai auxiliar sobretudo as construtoras, porque sofreram o impacto da crise mundial com mais intensidade, que durante o primeiro trimestre viveu uma redução de 12% no setor. As obras ''auto-geridas'' (àquelas administradas pelo proprietário) são apontadas como as que menos sentiram tais impactos. ''Em termos de Brasil, tenho números que mostram que 77% das casas vão passar por reforma ou ampliação. Em Londrina o índice está próximo'', informa confirmando a expectativa de reaquecimento nas vendas.
Montanari afirma que a retração promovida pela turbulência financeira internacional desembalou um crescimento que era de 10% em média. Os pilares para essa queda são os materiais brutos como cimento, pedra, areia e ferro. O cimento, segundo o presidente da Fecomac, sofreu cerca de 7% de baixa. ''Estes são os produtos que sofrem imediatamente o impacto. E na sequência vêm os materiais de acabamento'', afirma.
Sobre a manutenção de empregos, Montanari alega que o ''setor não precisou fazer demissões em massa'' e que os casos foram mais ''pontuais''. ''A princípio, talvez, alguma loja teve que fazer ajustes por causa de quedas nas vendas'', afirma. Segundo Shimuta, da Anamaco, o governo está aproveitando a ''coincidência'' com o pacote da habitação para que a economia caminhe no mesmo sentido dos seus objetivos políticos. ''A redução do IPI, além de estimular o consumo no setor, está relacionada ao pacote da habitação'', complementou Montanari.


