IPI da construção deve manter setor aquecido
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quarta-feira, 08 de julho de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aplicada aos materiais de construção trouxe uma queda de 8% a 10% nos preços para o consumidor final no Paraná. Segundo o presidente da Associação dos Comerciantes de Material de Construção de Curitiba (Acomac), Ademir Kurten, nos três primeiros meses do ano, as vendas foram bem fracas com queda de 10% no volume de negociação.
Kurten reforçou que a partir de junho a redução do IPI começou a trazer reflexos para as lojas do setor, com um incremento de 5% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Ele estima um crescimento de 5% neste ano. A ideia inicial da desoneração do IPI era que a medida tivesse validade do início de abril até o final de junho. No entanto, uma lista de 35 produtos teve a diminuição da alíquota prorrogada até o final do ano.
No País, as vendas do varejo cresceram 4,5% no acumulado de abril e maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2008. De acordo com informações da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), em abril, primeiro mês com redução de IPI, os produtos desonerados tiveram aumento de vendas de 25%. Em maio, a negociação desses itens cresceu 10%.
''Os produtos que foram beneficiados com a redução do imposto representam 15% do mix de material de construção e tiveram peso fundamental no desempenho do setor nos últimos dois meses. Prorrogar o prazo é manter esse aquecimento'', disse o presidente a Anamaco, Cláudio Elias Conz.
Segundo o estudo da Anamaco, nos meses de abril e maio, com a redução do IPI, produtos como cimento, tinta e cerâmica tiveram uma diminuição média nos preços de 8,5%. ''No caso da cerâmica, a queda chegou a 20%. Foi necessário vender fisicamente mais quantidade para alcançarmos esse faturamento'', explicou. Ele lembrou que o setor começou o ano com queda de 12% nas vendas em janeiro e fevereiro. A previsão é fechar 2009 com crescimento de 5% sobre o ano passado. Hoje, 77% de tudo que é vendido no setor é para o ''construtor formiga'' e 23% para construtoras.
Apesar da queda de preços no varejo, esse comportamento ainda não foi detectado pelo Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) que inclui preços de materiais, serviços e mão de obra calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em abril, o INCC fechou em -0,04% e em maio em +1,39%. O balanço de junho ainda não foi divulgado.
O diretor de marketing e vendas da rede de lojas Balaroti, Eduardo Balarotti, contabiliza melhora nas vendas nos últimos meses. O resultado, para ele, pode ser explicado não apenas pela redução do IPI, mas por outros fatores, como as melhores condições de financiamento da economia. A rede teve um aumento de vendas de 5% em junho. A previsão dele é que as vendas cresçam 20% neste ano em relação a 2009.
O advogado Adalberto Patricio Neto e a dona de casa Lucinéia Caldeira Patrício compraram um apartamento e pretendem investir de R$ 20 mil a R$ 30 mil em acabamentos, piso, gesso e granito. ''Acredito que a redução do IPI deixou os produtos mais baratos desde o cimento até os acabamentos'', disse ele.


