As montadoras obtiveram ontem mais uma vitória, com a redução, em cinco pontos percentuais, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis que estão nos estoques, mesmo aqueles que já haviam sido faturados. O imposto que já havia sido recolhido será transformado em crédito a favor das montadoras, segundo explicou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto.
O acordo foi firmado ontem à tarde, em reunião realizada no Ministério da Fazenda. A tributação sobre os carros em estoque era o único ponto que faltava resolver, depois que o governo anunciou, na última sexta-feira, a redução em cinco pontos percentuais do IPI dos automóveis.
Pinheiro disse que, com a redução do imposto, o preço final dos carros deverá cair entre 4% e 5,2%. O impacto será maior nos carros chamados populares, com motor de 1.000 cilindradas, cujas alíquotas cairão de 13% para 8%. Nos carros top de linha, a alíquota cairá de 35% para 30% e o impacto sobre o preço final será menor.
A expectativa ontem era de que o decreto determinando a redução seria publicado ontem no Diário Oficial da União, de modo que os carros faturados a partir desta terça-feira já sairiam com o IPI menor.
O presidente da Anfavea e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, assinaram um termo de compromisso válido até o dia 31 de dezembro. Ele prevê a redução do IPI em cinco pontos percentuais para os carros de passeio, em troca dos seguintes compromissos dos fabricantes: repasse integral da redução tributária para o consumidor, manutenção do nível de emprego, manutenção do nível da produção e condições mais flexíveis de crédito.
Segundo Pinheiro, nos próximos dias as concessionárias deverão estar oferecendo outras formas de financiamento dos automóveis. Elas poderão oferecer prazos mais longos e entradas menores. Atualmente, 85% das vendas de automóvel são financiadas.
O ministro disse que não há, no momento, uma estimativa sobre o impacto da medida sobre a arrecadação federal. ‘‘Esperamos que haja um estímulo às vendas que compense a perda tributária’’, comentou. Malan deixou a cargo do presidente da Anfavea explicar à imprensa os termos do acordo que haviam acabado de firmar. Pinheiro, por sua vez, não soube informar qual o aumento esperado das vendas em virtude das medidas, ou quantos veículos já faturados há em estoque, ou o valor do crédito tributário representado por eles.

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