Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A inflação deste ano foi de 20,10%, segundo o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas, que mediu o custo de vida entre o dia 21 de dezembro de 98 e o dia 20 deste mês. Foi o maior índice desde o início do Plano Real. A taxa mais alta anterior era de 15,25%, registrada em 1995. O IGPM de dezembro foi de 1,81%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Mello Cota, que divulgou o índice, explicou que a desvalorização cambial, o reajuste do preço do petróleo e a estiagem entre setembro e outubro foram os principais fatores a pressionar o custo de vida no ano. As altas do dólar e do petróleo influenciaram no reajuste das tarifas – o quarto fator de maior importância no IGPM, disse o economista. A estiagem provocou a alta inesperada dos produtos agrícolas.
Para o ano que vem, os cenários sobre a inflação são ‘‘200% melhores’’, disse Cota. Ele justificou o otimismo lembrando que, dos quatro fatores que empurraram o índice para cima, somente um, o reajuste das tarifas, pode repetir-se com intensidade igual à deste ano - até porque muitas são corrigidas pelo próprio IGPM. ‘‘O preço do petróleo deve até baixar e a desvalorização, se houver, não será tão grande’’.
A divisão do IGPM entre os três índices que o compõem mostram que a maior parte da inflação foi captada no setor produtivo, sem o repasse para o varejo. O Índice de Preços por Atacado (IPA) aumentou 29,34% no ano, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 8,83%. O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) ficou em 8,46%.
A taxa do IPC foi quase a mesma do Índice de Preços ao Consumidor da Série Especial (IPCA-E) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que registrou elevação de 8,29% do custo de vida entre 15 de dezembro do ano passado e o mesmo dia deste ano.
O resultado do IGPM em dezembro confirmou a tendência de queda da inflação, segundo Melo Cota. No atacado, os produtos agrícolas tiveram aumento de 4,97%, mas o número foi influenciado pelo reajuste dos preços deste grupo no mês passado, por causa da estiagem. Em novembro, produtos agrícolas subiram 5,42%.

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