Rio de Janeiro- Há risco de a inflação ser da ordem de 5,0% em 2009 e 2010 caso o aumento dos gastos públicos se mantenha alto, alerta o Boletim de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem. O gasto primário real do governo federal cresceu 9,4% este ano até julho em comparação com o mesmo período do ano passado, de forma generalizada, sem concentração em itens específicos.
O Boletim considera que com juros menores e o câmbio mais desvalorizado, a política fiscal deveria contribuir para controlar a inflação. ''O problema é que, desde 2004, o gasto primário do governo federal vem crescendo a taxas reais de quase dois dígitos, movimento que tem sido reforçado recentemente'', diz o texto.
Fábio Giambiagi, coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea, responsável pelo Boletim, disse que os gastos primários até podem continuar aumentando, mas é importante reduzir o ritmo desse crescimento. Ele recomenda o controle de despesas discricionárias do governo e a aprovação de dois projetos de lei do governo federal que já estão no Congresso. Um dos projetos institui um teto de 1,5% ao ano para o crescimento real da despesa do governo. ''Não teria efeitos importantes sobre 2008, mas sim para o médio prazo'', disse.

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