Ipea revê previsões: País cresce menos
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sábado, 29 de novembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
A economia brasileira poderá crescer apenas 3,4% este ano e a indústria em geral, 5%, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou ontem a sua Carta de Conjuntura relativa a novembro. Os técnicos do instituto vinham trabalhando com uma projeção de expansão de 4% para o Produto Interno Bruto (PIB) e de 5,4% para a indústria, porém as medidas tomadas pelo governo em reação à crise na Ásia fizeram com que eles admitissem que dificilmente as projeções oficiais se confirmarão.
Também por conta das medidas, a produção industrial em novembro e dezembro, quando comparada à registrada no mesmo período do ano anterior, poderá crescer somente 3%, e não 6%, como vinha sendo esperado a partir dos dados disponíveis para os cálculos, mas que ainda não incorporaram os efeitos das medidas. Caso esses 3% se confirmem, dizem os técnicos, em termos dessazonalizados haverá uma queda de 1,5% na produção em relação ao bimestre imediatamente anterior (setembro-outubro).
Os efeitos mais profundos das medidas tomadas pelo governo vão se fazer sentir mais fortemente no primeiro trimestre de 1998, conforme o Ipea. Até lá, haverá impacto, mas não de grande importância, como mostra o modesto recuo entre as previsões iniciais para o ano inteiro e as novas estimativas. No caso do PIB, também houve um encolhimento nas estimativas porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo, fez uma revisão profunda nos resultados apurados no PIB do primeiro trimestre.
Houve uma outra revisão, desta vez pelo próprio Ipea, e de caráter positivo: segundo os seus economistas, mas esta positiva: a taxa de investimentos em relação ao PIB, no terceiro trimestre, situou-se em 18,6%, ao passo que a estimativa era de um crescimento de 16,9%. A revisão consistiu principalmente na incorporação atualizada de quantidades de máquinas e equipamentos importadas e exportadas.Caso não tivesse em seguida havido a crise na Ásia e o ataque ao real, estes 18,6% seriam um resultado a comemorar, já que é a taxa mais alta desta década.
De acordo com o Ipea, no final do ano as vendas deverão diminuir pela alta das taxas de juros e pela contenção fiscal, que não somente reduz a renda disponível para a população, mas também faz com que as pessoas procurem poupar mais, por medo de um eventual desemprego. De acordo com a Carta, a crise na Ásiua eclodiu em um momento em que a economia brasileira apresentava um rítmo de crescimento adequado - embora inferior ao seu potencial. Os técnicos dizem que na composição do crescimento do PIB, por exemplo, para uma taxa acumulada de 3,5% até o terceiro trimestre, a indústria estava com crescimento de 5,5% e serviços com 1,7%.
Trata-se de um quadro diferente com o dos anos anteriores: em 1995, serviços cresceram 6,1% e a indústria, 2,1%; em 96, enquanto serviços expandiam-se em 3,4%, a industria evoluia só 2,5%. Isso, segundo os técnicos, indica que começavam a ser corrigidos os desequilíbrios gerados pela valorização cambial no início do plano real - em que os serviços, sem a concorrência externa, tiveram mais espaço para melhorar seu desempenho, ao passo que a indústria não conseguia crescer tanto, por causa da concorrência dos importados.


