Ipea revê números e projeta PIB 0,4% maior ainda em 99
Agência Estado
Do Rio
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil vai crescer e o conjunto de medidas para reduzir os juros ao consumidor, anunciado na semana passada, vai estimular ainda mais a recuperação do País ainda este ano. A previsão é de Roberto Borges Martins, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério da Gestão e Orçamento.
Martins lembrou que o bom desempenho da economia no terceiro trimestre levou o Ipea a rever sua previsão para o PIB para este ano. O instituto já trabalha com crescimento em torno de 0,4%, resultado melhor do que a queda em torno de 0,5% estimada no final do primeiro semestre. O desempenho da economia pode ser ainda melhor com o estímulo provocado pela esperada queda dos juros, explicou. Isso vai dar um empurrão a mais.
Apesar da projeção positiva, Roberto Martins destacou que esse crescimento não será suficiente para diminuir a desigualdade social no Brasil. A solução desse problema estaria em investimentos maciços no setor de educação. Isso proporcionaria condições iguais aos brasileiros para disputar o mercado de trabalho, disse. Ele lembrou que o País gasta cerca de 21% do PIB em projetos sociais, mas que a maior parte desses recursos não atinge as camadas mais pobres. O governo gasta mal seu dinheiro, sentenciou. É preciso redesenhar seus programas para atender especificamente a demanda da população carente, ele observa.
A pressão no dólar não preocupa o presidente do Ipea. Segundo ele, a alta não será suficiente para comprometer o sistema de metas de inflação do governo. A estimativa é de que os índices de preços ao consumidor encerrem o ano entre 7% e 8%, dentro das previsões da equipe econômica. Martins ponderou que o patamar de R$ 2,00 para o câmbio exerce um fator mais psicológico do que econômico entre os agentes econômicos. Essa variação é uma consequência de quem adota a taxa de câmbio flutuante como política, afirmou ontem, após um seminário sobre políticas sociais que foi promovido pelo instituto em conjunto com a fundação Konrad Adenauer.





