Ipea revê contas e PIB deve crescer 4,2%
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segunda-feira, 04 de setembro de 2000
Agência Estado Do Rio 
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão , aumentou de 3,9% para 4,2% sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. A evolução desta projeção decorre, principalmente, da variação positiva de 0,2% no indicador de produção industrial do Ipea registrada em julho na comparação com junho. Em relação a julho do ano passado, a alta na produção industrial atinge 7,6%.
O coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea, Paulo Levy, explica que a indústria brasileira vem mostrando um ritmo de crescimento mensal constante, embora pouco intenso, desde o fim do ano passado. O crescimento mais forte foi observado no último trimestre do ano passado e desde então o setor tem se mantido neste patamar, diz. Entre dezembro de 1999 e julho deste ano o crescimento foi de apenas 0,6%.
De acordo com as novas projeções do Ipea, a indústria de tranformação vai crescer 5,8% este ano, contra uma previsão de 5,4% divulgada no Boletim Conjuntural de julho.
Levy observa que na comparação com a média do terceiro trimestre de 1999, a produção industrial de julho deste ano cresceu 6,4%. Já em relação à média dos últimos três meses do ano passado, o crescimento é de 2,4% em julho deste ano. O economista explica que as variações positivas são sempre maiores quando comparados com períodos anteriores ao último trimestre de 1999 porque naquele período a produção estava deprimida. Só entre setembro e outubro de 1999 houve um crescimento de 2,6% na produção industrial.
O Ipea também identificou uma redução no ritmo de criação de postos de trabalho. Parece que as empresas estão dando uma parada nas contratações para organizar a produção e depois voltar a aumentar sua força de trabalho, avalia Paulo Levy. Acho que é uma parada para tomar fôlego, comenta. Em termos dessazonalizados, o índice de desemprego se manteve estável em cerca de 7% em junho e julho.
De acordo com Levy o dado mais surpreendente do estudo do Ipea é a alta de 2% no rendimento médio real de junho deste ano na comparação com igual período de 1999. Este ano, o aumento no salário mínimo foi concedido em abril e praticado em maio e não concedido em maio para ser efetivado em junho, como acontece normalmente. Os dados do Ipea acusaram este movimento registrando uma alta de 1% no rendimento médio real de maio de 2000 ante maio de 1999. Em junho esperávamos uma queda no rendimento porque este efeito teria desaparecido, explica.


