Ipea reduz crescimento do PIB para 0,2%
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2003
Sheila D'Amorim<br> Agência Estado 
Brasília Ao contrário das previsões de alguns analistas de mercado, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Glauco Arbix, descarta a possibilidade de o País registrar queda no Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Após a divulgação dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrando uma retração de 0,4% no terceiro trimestre do ano, o Ipea reviu a sua projeção para 2003 e, agora, trabalha com um crescimento de apenas 0,2% da economia.
Anteriormente, os técnicos apostavam num aumento de 0,5%. ''Nossas projeções não mostram queda, apontam um pequeno crescimento próximo de zero. Se sairmos com 0,2% (de crescimento em 2003) já é fantástico'', afirmou Arbix, ressaltando a magnitude do ajuste vivido na economia este ano e lembrando que em outros períodos de dificuldades, o País chegou a registrar encolhimento de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), como ocorreu em 1981. Em 2004, o Ipea estima que o crescimento será de 3,6%.
A nova projeção do Ipea para este ano está bem abaixo do 0,8% previsto pelo ministro do Planejamento, Guido Mantega, e também difere do 0,6% projetado pelo Banco Central e do 0,4% do Ministério da Fazenda. No entanto, Arbix destaca que é muito difícil prever exatamente o crescimento da economia. ''Alguém pode dizer qual é a diferença na economia de um crescimento de 0,2% e outro de 0,4%?'' questionou. Para ele, o importante é que atualmente todos os dados apontam que o Brasil está reunindo as condições necessárias para engrenar num período de maior atividade econômica.
''É como o teste do pudim. Estamos prevendo que vamos comê-lo mas o tamanho vai depender da forma como reagiremos'', disse. Arbix argumenta que ainda há uma indefinição em relação aos desdobramentos de uma série de medidas que foram tomadas pelo governo e que ninguém pode prever ao certo qual será o impacto final na economia. Um exemplo destacado é o projeto que permite a abertura de contas bancárias para população de baixíssima renda que está fora do sistema financeiro e vem sendo encampado pela Caixa Econômica Federal.


