Ipea reduz a projeção do PIB para 3,3%
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quarta-feira, 06 de setembro de 2006
Folhapress 
Rio de Janeiro - O fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre levou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, a rever para baixo (de 3,8% para 3,3%) as projeções de crescimento da economia para 2006.
A projeção do instituto contrasta com a da equipe econômica do governo, que insistiu, nos últimos dias, em afirmar que a taxa de crescimento de 4% neste ano ainda é possível. Para o Ipea, dois fatores levaram a uma perspectiva mais pessimista de crescimento econômico: o comportamento das exportações no segundo trimestre, influenciadas pelo câmbio, e o desempenho do investimento, principalmente em razão da desaceleração da construção civil.
''O segundo trimestre provavelmente representou o ponto ao longo do ciclo monetário em que os efeitos da redução das taxas de juros reais (iniciada em setembro do ano passado) ainda não se fizeram sentir com muita força na economia, mas em que os efeitos do câmbio apreciado se mostraram particularmente intensos'', afirma o instituto em seu ''Boletim de Conjuntura''.
As projeções do Ipea consideram que a substituição da demanda externa pela interna acabará por estimular a atividade produtiva. O crescimento de 2006 deverá ser sustentado pela expansão do investimento e do consumo das famílias, embora a um ritmo menor do que se previa anteriormente. A projeção de investimento recuou de 7,8% para 6,0%. A expansão do consumo das famílias foi revista de 4,8% para 4,3%.
O comportamento das exportações deverá ser guiado pelo preço e não pela quantidade exportada. O Ipea projeta crescimento do saldo da balança comercial de US$ 43,6 bilhões, acima dos US$ 40,4 bilhões projetados anteriormente.
A indústria deverá crescer menos. A projeção passou de 4,5% para 3,5% na produção industrial mensal, calculada pelo IBGE. O comportamento do setor foi um dos fatores responsáveis pelo crescimento menor no segundo trimestre.
Para o Ipea, o real deve continuar valorizado até o fim do ano. A projeção do câmbio médio do último trimestre passou de R$ 2,30 para R$ 2,19. Com inflação mais baixa, o Ipea estima que os juros encerrem o ano em 14%, pouco abaixo da taxa estimada em junho, de 14,2%.


